Definindo Daniel Miorim
Respondendo aos Ataques, Dissecando Narrativas e Registrando Fatos
Este texto nasce de um vídeo que me foi enviado, acompanhado da recorrente pergunta sobre qual seria, afinal, o “meu” problema envolvendo a figura de Miorim. Decidi estruturar essa resposta por escrito, tomando como ponto de partida o trecho que veio a público no podcast Queimando Pontes #2, motivado por um questionamento feito por Ben Pontes no qual ele admite certas coisas em publico.
Esse comportamento, inclusive, conecta-se diretamente a outro artigo de minha autoria focado especificamente na discussão sobre a usura no Brasil, no qual exponho os ataques de bastidores, ocultação desse tema e fuga do embate direto contra Murilo Resende para ficar nos palcos caricatos, preferindo debater com figuras folclóricas como o "Bruxo Malagueta". Esse comportamento não é uma exceção recente, é o padrão que o acompanha desde os seus primórdios na internet até hoje: tentar protagonizar um teatro de aparências que ele próprio coordena.
No trecho em questão Miorim traz à tona três pontos específicos que merecem ser destacados:
Ponto 1: Ele confessa que a sua atuação e presença online começaram, quase que exclusivamente, de maneira reativa a mim e a todos do meu círculo.
Ponto 2: Ele alega falsamente que eu nunca o respondi ao longo desses anos.
Ponto 3: Ele afirma que eu mantinha uma política de ignorá-lo pelo seu tamanho (no que tange aos números de audiência) e que, agora que ele cresceu nos algoritmos, estaria me fazendo “provar do próprio veneno”.
Diante desses três pilares da fantasia dele, apresento o devido rebatimento baseado na pura exposição dos fatos. Algumas dessas questões serão diretas, outras envolvem lost media, mas possuo elementos e registros suficientes do que restou online para provar a trajetória real e demonstrar que esses embates de fato existiram.
Para começar, a acusação de que eu nunca o respondi ou que jamais interagi com ele é categoricamente falsa. Nós já estivemos juntos em entrevistas, painéis e já conversamos de forma direta no privado e em grupos do Telegram. O ponto central nunca foi a falta de resposta, mas sim o fato de que ele exige que eu interaja com ele da forma e nos termos que ele quer, para alimentar o seu próprio teatro algorítmico.
Houve interações passadas que foram marcantes e incontestáveis. É evidente que muito material acabou se perdendo ou foi deletado ao longo do tempo, até porque, na época e ainda hoje, eu não faço questão de registrar cada movimento dele e, em muitos casos, priorizei a privacidade de terceiros, a brevidade ou simplesmente o meu tempo útil. No entanto, o histórico sobrevivente é mais do que suficiente para desmantelar a narrativa miorinística, serão expostos não na ordem cronológica mas na evolução dos temas.
O Miorim sempre lhe dirá o que aconteceu com ele, mas nunca o porquê.
PRIMORDIOS E PROGRESSISMO
Nossas primeiras interações ocorreram em 2019. Após participar do meu canal e, bizarramente, declarar que possuía um suposto "treinamento marxista" e que deveria participar dos hangouts para “ajudar” a tecer criticas aos marxistas, ele passou a adotar uma postura que acendeu todos os alertas de estranheza no nosso meio.
Em vez de focar nas ideias libertarias, ele tentava introduzir autores marginais e exógenos a qualquer custo e alternava entre uma bajulação repetida, ofensas gratuitas, perseguições, infiltrações, de maneira obsessiva e desconfortável para tentar cavar espaço e ser aceito. Era uma postura toxica e desesperada.
Essa mistura de histórico ideológico confuso, postura artificial, insistência pedante e puxação de saco explícita, no início, que tornou-se um comportamento “agressivo” após ser negado, causou um profundo desconforto e desconfiança sobre as suas reais intenções.
Nesse período, Miorim publicou um artigo tentando refutar o conservadorismo hoppeano para defender a viabilidade de um progressismo libertário. A crítica, no entanto, foi falha: ele pulou páginas e ignorou conceitos fundamentais da obra, demonstrando que fez uma leitura incompleta e imprecisa do autor.
Minha resposta foi extensa e corretiva, buscando demonstrar que suas criticas partiam de imprecisões, algo que era típico de suas interações. Demonstrei que as supostas brechas apontadas por ele já estavam sanadas no próprio Democracy e outras obras do Hoppe e expus a suas imprecisões e possível incapacidade de compreender o framework de Hoppe que ele se dispunha a criticar.
Na tréplica, ao perceber que havia sido exposto, Miorim recorreu ao seu habitual jogo de esquivas. Para mudar o foco da discussão, tentou empurrar o debate para um escopo puramente ontológico, um tema que, por si só, não seria um problema tratar, mas que ali serviu apenas como cortina de fumaça quanto suas falhas ao apresentar o Hoppe.
No processo, ele abandonou convenientemente a sua antiga autodenominação de progressista para se abrigar em uma vaga e conveniente posição “institucional”. Para disfarçar a distorção grosseira que havia feito do conteúdo original, ele promoveu um verdadeiro malabarismo retórico, criando uma salada metodológica que amalgamava os mais diversos autores alheios ao framework hoppeano sem qualquer critério ou rigor conceitual, clássico caso de name-dropping. Links para a leitura:
O detalhe mais revelador, contudo, ocorreu no fim da tréplica, onde ele tenta literalmente negociar a própria postura:
“Ainda assim, peço por uma trégua. Retiro até mesmo o tom tóxico do artigo em questão e proponho um debate civilizado [...]. Será sua chance de mostrar que antes de ser conservador em palavras, o é em ações.”
O absurdo não é o pedido de trégua, mas a prova cabal de que o discurso é só um instrumento maleável e descartável. Ele não buscava a verdade com a sua retórica, mas apenas o holofote. Na época, eu também estava ocupado com a organização de um evento que tratava da pauta separatista do qual o próprio ficou protestando, fato que é relevante mais tarde.
A ASSEMBLEIA LIBERTÁRIA
Em 2023, participei de um debate na “Assembleia Libertária”, organizado pelo Henrido no canal da Universidade Libertária (onde Miorim atuava como produtor de conteúdo). Na ocasião, Miorim convidou propositalmente participantes de viés extremamente progressista, em uma clara tentativa de forçar essa pauta para dentro do meio.
Logo na introdução do evento, porém, ele cometeu um sincericídio que condena toda a sua postura histórica: ele admitiu que o libertarianismo brasileiro é fruto direto da tradição do Alabama (rothbardiana-hoppeana). Seu objetivo ali era expandir o escopo da palavra “libertário” justamente para diluir [e descartar] essa tradição, a qual ele sempre enxergou como um problema a ser extirpado.
Antes mesmo dessa live, a tática de Miorim já consistia em contrabandear autores externos para as discussões valendo-se de um pedantismo típico. Ao invés de assumir honestamente que tentava introduzir ideias exógenas à tradição brasileira, ele preferia forçar um falso consenso. Fazia-se de desentendido, agindo como se todos estivessem delirando e apenas ele possuísse a razão, vendendo a narrativa do seu autoproclamado “Libertarianismo 2.0” (nome que usava em seu canal e Twitter). Exigia que todo o movimento fosse reorganizado em torno das suas teses, numa síndrome do “dono da bola”, ele queria ditar as regras do jogo e obrigar todos a jogarem como ele queria.
Essa confissão pública na Assembleia, contudo, criou um duplo nó lógico e fatal na retórica dele:
Validação das fronteiras conceituais: Ao admitir a base rothbardiana-hoppeana do movimento brasileiro, ele reconhece que as correntes que ele defendia (como a New Libertarian Alliance e o agorismo) eram exógenas. Assim como o utilitarismo é ancap, mas não libertário, a matriz dele era externa. Isso valida exatamente as demarcações conceituais que eu sempre defendi e pelas quais ele me atacava.
Confissão de subversão: Fica escancarado que a sua atuação nunca foi um refino ou evolução orgânica de ideias, mas sim um projeto consciente e artificial de subversão e diluição das raízes do libertarianismo no Brasil.
O HERÓI DA REVOLUÇÃO SILENCIOSA
Desde sempre, Miorim em sua visão romantizada por ideias revolucionárias sofria de uma nítida “síndrome de protagonista”. Em seus delírios de grandeza, agia como se possuísse uma procuração imaginária e inquestionável para falar em nome de todos os libertários.
O cumulo dessa irresponsabilidade delirante ocorreu no episódio com o MBL. Para tentar pressionar um político, provar seu ponto e ganhar relevância, ele tentou provar que os libertários estariam se armando em segredo para deflagrar uma “revolução silenciosa”. O detalhe que agrava tudo isso é que eu e vários outros já defendíamos pautas separatistas de forma inteiramente aberta e pública atuando estritamente dentro da estrutura estratégica proposta por Hoppe em O Que Deve Ser Feito.
Ao ignorar uma atuação política real e transparente para vender uma fantasia bélica e pintar um alvo nas nossas costas, ele criou uma armadilha imperdoável que o condenava sob qualquer ângulo de análise:
Se o relato fosse falso e visto como falso, ele seria taxado apenas de delirante e descreditaria libertários.
Se fosse falso e visto como verdadeiro, ele estaria incitando uma perseguição estatal “gratuita” contra todo o meio.
Se fosse verdadeiro e visto como falso, ele seria um X9.
E se fosse verdadeiro e visto como verdadeiro, o papel dele ali era pura e simplesmente o de traidor.
Independentemente do cenário, apesar do primeiro ter sido o caso, na sua ânsia desesperada por ser o centro das atenções, ele basicamente se mostrou moralmente irresponsável como completo vacilão, disposto a sacrificar a todos por um momento sob os holofotes, este tipo de atitude era já subentendida, mas este trecho é o que registra de forma publica e notória.
O “ESTUPRO ÉTICO” E A FÁBRICA DE PROBLEMAS
Miorim sempre se mostrou incompetente para escalar qualquer hierarquia por mérito próprio. Sua alta preferência temporal, que se manifesta até fisicamente, e a sua sanha em instrumentalizar pessoas para negociar posicionamentos sempre sabotaram seus resultados a longo prazo. Chega a ser poético o nome de seu podcast “[Quebrando] Queimando Pontes”, visto que ele literalmente implodiu várias por onde passou. Sua tática padrão sempre foi recorrer ao choque moral, à retórica vazia e à difamação para tentar derrubar quem ele desejava superar.
A essência do seu modus operandi resume-se a uma tática barata: criar problemas onde não existem para, logo em seguida, exigir o holofote vendendo a “solução”. O exemplo mais bizarro e grotesco disso foi a sua tese sobre o “estupro ético”.
Para apontar uma falha estrutural no libertarianismo, em 2020, ele pegou uma premissa filosófica pacificada e a adulterou por completo. A premissa real dita que qualquer ética deve visar a “preservação da humanidade” no sentido de garantir a viabilidade da convivência pacífica e da agência individual (por exemplo: uma norma que ditasse “todos devem se suicidar para evitar conflitos” seria inválida, pois destruiria a própria base de agentes).
O que Miorim fez? Ele distorceu propositalmente essa premissa como se este “deve” [permitir] pudesse ser interpretável como uma obrigação positiva, tornando a “preservação da humanidade” na perpetuação biológica obrigatória da espécie. A partir desse espantalho grosseiro, publicou um artigo e fez uma turnê no Twitter alardeando aos quatro ventos que as éticas hoppeana e rothbardiana validavam, nas entrelinhas, a reprodução forçada e que ele tinha a solução.
A jogada era transparente. Ele extraiu uma conclusão delirante e a espalhou como se fosse um gênio incompreendido que acabara de descobrir uma rachadura fatal na teoria austro-libertária. O objetivo não era debater filosofia, era fabricar uma crise artificial para convencer a comunidade de que a teoria precisava de uma revisão urgente e que ele era a única pessoa capaz de consertá-la. Ele queria que a comunidade entrasse em pânico e lhe entregasse as chaves do movimento.
O plano, previsivelmente, naufragou. Ao invés de ser aclamado como salvador, a sua atitude gerou repulsa. Quando as pessoas começaram a questionar a sua estranha e suspeita fixação pelo tema, o falso brilhantismo sumiu. Encurralado, ele deu a desculpa esfarrapada de todo pseudo-intelectual que é pego blefando: recuou e disse que tudo não passava de “meramente um exercício intelectual” e deletou o artigo, esta discussão está registrada no canal do Odinilson Bom, que participou da Assembleia posteriormente ao vídeo e tendo uma postura de oposição a mim.
O COMITÊ DAS HASHTAGS
Durante essa mesma fase de bajulação obsessiva, intercalada com a produção covarde de “dossiês” e ataques reativos, onde Miorim tentava a todo custo mendigar espaço no meu canal ao mesmo tempo em que usava seus próprios vídeos como plataforma de autodivulgação contra o meu conteúdo, ele teve a audácia de tentar cartelizar o ecossistema sob o seu comando. A ideia mirabolante consistia em criar um suposto “grupo de avaliação de conteúdo libertário”. Na prática, seria um comitê deliberativo presidido por ele mesmo, que ditaria qual material seria considerado “aprovado” e quais hashtags específicas deveriam ser obrigatoriamente replicadas pelos criadores de conteúdo subordinados. Uma autêntica cadre burocrática na internet.
Para tentar vender o seu projeto de poder e se coroar como o Rei Momo do libertarianismo brasileiro, Miorim organizou uma reunião em um servidor privado do Discord com os principais nomes do meio na época. O encontro reuniu figuras como eu, Botti, PG, Porto, Ojeda, Malboro, Alisson Neres, entre outros.
O plano ruiu assim que o confrontei diretamente. Expliquei que a proposta era flagrantemente ruim: aquela estrutura nada mais era do que um sistema artificial de spam de conteúdo, desenhado para beneficiar única e exclusivamente o próprio Miorim. Ele reteria o controle absoluto sobre o fluxo de informações e sobre a visibilidade alheia, em um arranjo moldado para colocar o conteúdo dele em um falso “padrão-ouro”, no qual todos os demais seriam forçados a se conformar ou a bajulá-lo para obter aprovação.
A rejeição quase unânime daquela loucura foi um golpe pesado demais para o ego dele, e a resposta veio na forma de pura retaliação pseudo-teórica e ressentimento. Foi a partir desse fiasco que Miorim passou a rotular o meu círculo de interações no Twitter e no YouTube, o Clazinho, como um bando de dissidentes, acusando-nos de agir contra o “movimento” (ou seja, contra as suas próprias aspirações frustradas de liderança).
Já cansado dessa palhaçada generalizada criada por ele, decidi me distanciar por completo daquela bagunça virtual. Em janeiro de 2020, declarei oficialmente em vídeo que estava fora do movimento libertário. Deixei o circo dos influenciadores para trás e foquei a minha energia no que realmente importava: ir para a fronteira e desenvolver comunidades reais na prática. Foi desse movimento orgânico que aprofundei as ideias envoltas no Fronteirismo, na estratégia da Matopill e, finalmente, no OrdoNaturalismo, o framework onde hoje sintetizo a maior parte das minhas reflexões teóricas e econômicas.
Como o ego ferido por termos frustrado o seu plano de centralização, Miorim formulou o seu infame pseudo-argumento do “estupro ético” como pretexto para declarar que havia “abandonado” a ética hoppeana, lembrando que ele próprio sempre tentou sabotar e abrir furos. Ele já tinha montado um teatro virtual junto do Malboro e Nicolas Ferreira com o único objetivo de tentar emplacar o Agorismo para ganhar destaque como o suposto vendedor da solução.
O rancor de ter visto o seu comitê de hashtags “morrer no útero” transformou-se, desde então, em uma campanha ininterrupta e rasteira nos bastidores: uma sucessão de fofocas, picuinhas, espantalhos intelectuais, conteúdos adulterados ou tirados de contexto. Desde antes de 2020, sua única obsessão tem sido atacar de forma desonesta eu e qualquer pessoa associada a mim, após isso ele passou a adotar uma conduta mais sorrateira e trapaceira, que reflete-se muito bem na aposta de debate viciada que exponho logo adiante.
O CSI E O ÊXODO DAS LIBERTÁRIAS
Miorim tem o dom de afastar pessoas e até hoje me pergunto se é proposital ou acidental, mas com certeza é eficaz. O verdadeiro desastre, o ponto de ruptura do ecossistema libertário, foi a sua associação e cumplicidade com o movimento Combustível Sem Imposto (CSI).
Até antes da pandemia, o libertarianismo contava com uma presença feminina muito engajada nas redes sociais e eventos presenciais. Elas traziam organicidade, promoviam eventos e mantinham o ambiente saudável, o que incentivava o público a trazer namoradas e esposas. No início, o CSI se aproveitou dessa rede enviando camisetas para essas libertárias, pedindo apenas uma foto de apoio à causa.
Porém, a página decidiu adotar uma estratégia de marketing bizarra e vulgar baseada na premissa de que “sexo vende”. Passaram a contratar modelos para fotos sugestivas usando as camisetas e, por várias dessas modelos produzirem conteúdo adulto, a imagem das libertárias acabou sendo associada a esse tipo de exposição.
O resultado foi catastrófico, mas a real extensão do dano só seria percebida muito mais tarde, com a diminuição das restrições da pandemia. O público geral passou a confundir as libertárias, que apoiavam a causa de boa-fé, com as modelos de conteúdo adulto veiculados na mesma página. Uma avalanche de assédio e solicitações recaiu sobre elas. Para evitar o estigma e o risco de virarem alvo de páginas de fofoca, a esmagadora maioria abandonou o movimento.
Foi uma implosão majoritariamente silenciosa. Como as mulheres frequentemente se organizavam em grupos nos bastidores, até mesmo aquelas que não sofreram exposição direta (com as fotos das camisetas) decidiram se afastar do meio em bloco, motivadas pelo evidente risco à reputação que a associação ao libertarianismo passou a representar na época.
Por isso, embora o declínio e o esvaziamento do movimento sejam frequentemente creditados à pandemia, ao avanço do bolsonarismo ou à posterior traição de Paulo Kogos, a verdade histórica é que o tecido social do libertarianismo já havia sido rompido ali. A difusão orgânica e a manutenção de um ambiente minimamente saudável foram pulverizadas de dentro para fora por essa tática rasteira e inconsequente.
E como Miorim reagiu as exposições da nebulosidade e vulgaridade do CSI? Ele defendeu o indefensável. Em diversas ocasiões, incluindo lives hoje deletadas, ele e Alexandre (dono do CSI) sustentaram a tese de que “não existe propaganda negativa”. Miorim chegou a debochar dos críticos, alegando que eles não entendiam de marketing, direito ou ética e se vitimizou, dizendo que tudo era perseguição contra eles quando levantaram processos por assédio ligados ao Alexandre no chat de uma das lives deletadas, mas ele manteve seu foco nas narrativas que poderiam ser extraídas da pauta ao invés de considerar qualquer dano.
O nível de ofuscação e ginastica mental era tamanho que, em uma dessas transmissões deletadas (que contou também com Felipe Ojeda), o Contador Libertário, que na época participava dos projetos do Miorim, teve um surto ao vivo tentando argumentar contra o cinismo do Miorim e Alexandre e ambos debocharam do surto. Longe de um arrependimento, Miorim jamais denunciou as práticas do CSI até hoje, ao menos que tenho noticia, mas acho algo estranho haver um apoio de um dito católico à algo tão vulgar.
O LIVRO, O CRINGE E O SURTO NO TWITTER
Na época em que produzia conteúdo para a Universidade Libertária e gerenciava as contas do “Libertarianismo 2.0”, muitas das interações zombando o Miorim ocorriam não por qualquer receio de sua capacidade intelectual e “argumentos irrefutáveis”, mas pela sua completa falta de senso de ridículo.
ATENÇÃO!
ESTE VÍDEO CONTÉM QUANTIDADES PERIGOSAS DE CRINGE.
O ápice dessa quebra de expectativa (e do cringe) ocorreu quando ele publicou e pediu que a comunidade criticasse o seu livro: O Alvorecer da Liberdade (2019). A obra era um desastre retumbante. Além de mal escrita e com uma diagramação rudimentar, continha ilustrações tão bizarras e grotescas para uma obra de cunho intelectual sério, ou, como ele dizia, “filosofia brgaba”, que o escárnio foi geral e imediato. O detalhe mais fascinante é que o projeto foi desenvolvido de forma colaborativa, mas absolutamente ninguém na equipe dele teve a decência de avisar o tamanho do mico que estavam prestes a pagar. Abaixo algumas das imagens:
O nível das “gravuras rupestres” era tão absurdo que eu e meus inscritos fomos questionados se não tínhamos forjado o material em PDF apenas para sacaneá-lo (já que tínhamos o costume de criar baits como que havia referencias ocultas em livros). Mas não, a obra era real. Alguns tentaram amenizar a vergonha alheia sugerindo que o arquivo fosse apenas um rascunho vazado, mas o próprio Miorim fez questão de desmenti-los, batendo no peito para defender que aquela era a versão final, oficial e que estava “perfeita”.
Lembrando que esse livro foi lançado depois dos artigos sobre o Democracy e antes dele resolver criticar as bases do libertarianismo com o “estupro ético”, ambos pontos que já apresentei.
Ao invés de aceitar as críticas ou até a ajuda de quem tentou orientá-lo, ele comprou briga com todo mundo. A sua principal e patética linha de defesa era choramingar: “Eles só olharam as figuras!”, como se a estética bizarra apagasse os profundos problemas teóricos e estruturais do texto. Ninguém mais o levou a sério a partir dali.
O problema mais gritante desse livro é que ele escancarou a inaptidão e a total ausência de qualquer senso de "excelência" em alguém que, ironicamente, pretendia encabeçar uma universidade libertária. Se a obra fosse apenas mediana ou fraca, restaria ao menos o benefício da dúvida de ter sido uma tentativa legítima, mas o fato de ter saído algo tão categoricamente terrível funcionou como uma verdadeira confissão pública de sua própria limitação e incompetência intelectual.
Foi então que ocorreu o infame surto em seguida no seu perfil no Twitter: Miorim iniciou a sua famosa grande thread “Acerto de Contas”. Ele marcou individualmente cada membro relevante da comunidade libertária que supostamente o havia “lesado” seja por criticar seu livro, debochado da sua aparência ou lhe negado um favor ou suas ordens sugestões colaborativas. A thread mal tinha conteúdo ou fundamentação, era a apenas para proferir xingamentos e acusá-los de “trair o movimento” (o movimento, no caso, ditado por ele mesmo). Após o chilique virtual, ele apagou tudo e limpou o perfil.
Hoje, ele até consegue disfarçar o próprio conteúdo com floreios de marketing e uma capa mais profissional, mas a mente operante continua a mesma. E se a sua produção autoral já era uma piada, a sua atuação nos bastidores provou ser ainda pior: trabalhando recentemente como editor para o Marcelo Andrade, Miorim participou diretamente da publicação de um livro que hoje carrega fortíssimas e pesadas alegações de plágio. A sua incapacidade de produzir algo decente agora se soma à falta de rigor que permitiu que uma possível fraude editorial passasse ilesa sob o seu carimbo de editor.
A METABOLHA E A APOSTA-DEBATE
O fato de Miorim julgar-se uma figura intelectualmente imponente e digna de ser levada a sério em sua própria narrativa é, no mínimo, uma piada pronta. Ele parece não perceber o quão descartável e transitório é nas bolhas pelas quais passa. Hoje, ele e sua turma atuam como “porteiros de bolhas” da internet, tentando desesperadamente vendê-lo como um intelectual rigoroso, sério e até um formador de consensos. Ele é o legítimo Bolheiro: aquele que se infiltra nas rodinhas alheias apenas para parasitar a audiência e inflar a sua própria.
A maior prova desse modus operandi rasteiro foi a do “debate com banca”. Publicamente, Miorim bravateava no Twitter em seus perfis, oferecendo dinheiro (R$ 10.000,00 a até 1 Bitcoin) para quem aceitasse debater com ele, geralmente focado para influencers de outras bolhas. Uma vez que alguem aceitasse a armadilha estava na conversa privada, uma aposta totalmente viciada: ele exigia ser o responsável por escolher, e pagar, a banca que julgaria os argumentos e definiria o vencedor. Obviamente, qualquer pessoa racional recusava a ideia de ter seu intelecto (e seu dinheiro) julgado pelos amigos do Miorim. Diante da recusa óbvia dos termos em privado frente ao aceite publico prévio, ele corria para o público cantando uma [falsa] “vitória por desistência” dando a entender que estavam intimidados e tentava captar publico de seus “adversários”.
Quando ele tentou aplicar essa mesma armadilha comigo, a dinâmica mudou por completo. Como a verdade não está sujeita aos delírios academicistas dele ou ao consenso de sua turba de “iluminados”, e visto que era ele quem precisava da minha presença para viabilizar a discussão, impus a minha condição padrão para qualquer debate: remuneração. (Condição que fiz com o Kogos e outros)
Exigi que o valor acordado fosse pago de forma antecipada, como um cachê fixo, o valor podendo ser negociado. A banca dele poderia avaliar o que bem entendesse, mas o meu pagamento estaria garantido de antemão, totalmente blindado contra o julgamento viciado daquela estrutura.
Ele recusou na hora. Em vez de aceitar os termos profissionais, tentou negociar as regras da aposta: propôs dividir comigo a escolha dos membros da banca, mas exigindo para si um direito de veto exclusivo, uma manobra clara para tentar encontrar um pretexto e não pagar cachê nenhum. Anos depois, deu a desculpa esfarrapada de que “não queria mais debater”, empilhando mais uma série de groselhas para tentar camuflar o próprio recuo.
Já nos bastidores, contudo, a farsa do “intelectual moderado” desmorona. O comportamento que se observa é o mesmo de sempre: ataques covardes à reputação alheia quando é contrariado, acusações, chiliques, sabotagens e a coordenação patética de seus “militontos” na tentativa de prejudicar financeiramente com esta aposta, demonstrando sua completa desonestidade e prepotência (como prova o áudio da época das apostas encaminhado em anexo).
Quando Miorim percebeu que não conseguiria ditar as regras do jogo, a máquina de difamação entrou em ação. Seus colaboradores, agindo por ordem direta ou movidos por desonestidade própria, trataram de fabricar um falso “debate” por meio de uma edição fraudulenta.
A presepada ocorreu durante uma sabatina informal de seis horas que eu realizava com os meus inscritos após o término de uma transmissão. Os asseclas dele entraram enquanto um só disparava perguntas repetidas em tom de provocação, atrapalhando a dinâmica com meus inscritos e gravaram a interação para, posteriormente, manipularem o conteúdo. O objetivo era escuso: simular a existência de um debate estruturado e criar a narrativa mentirosa de que eu havia “fugido” da discussão.
A realidade, no entanto, beira o patético. Eu apenas me ausentei por alguns instantes para beber e comer algo e, assim que retornei para dar continuidade ao diálogo com o meu público, os próprios debandaram do evento informal que haviam entrado apenas para tumultuar.
O CONSERVADORISMO CATÓLICO MIORINÍSTICO
Diante da sanha por público, a reação padrão de Miorim é acusar qualquer um que não se dobre ao colossal peso de seu intelecto de ser enviesado, mentiroso, burro e desonesto. Mas a realidade é que ele continua sendo o mesmo progressista de sempre. Ao perceber que fracassou na tentativa de capitanear o libertarianismo e que era incapaz de vencer no campo argumentativo sem apelar para subterfugios, ele mudou a estratégia: pivotou para a infiltração e o mimetismo.
Agora, sob a roupagem de um católico [modernista] e autointitulado conservador, uma transição um tanto quanto conveniente consolidada especialmente após o infame “churrascamento” de Charlie Kirk, ele continua defendendo essencialmente as mesmas pautas de antes. A diferença é que agora ele tenta atuar como um balizador do lado oposto e virar um porta-voz e debatedor da “direita”. Miorim virou uma espécie de Snorlax bloqueando a Janela de Overton, tentando cobrar pedágio na entrada da nova bolha apenas para atrair os desavisados para a sua órbita e inflar seus números de engajamento.
Essa sua nova persona de “alta linguagem” e intelectual de blazer e camiseta, contudo, não tem absolutamente nada de original. Trata-se de uma cópia carbono, em baixíssima resolução e altíssimas calorias, de uma prática exaustivamente combatida por Sócrates e Platão na Grécia Antiga: o sofismo. Miorim opera exatamente como os primeiros “vendedores de curso” do Ocidente, replicando as mesmas trapaças retóricas e comerciais de 2.500 anos atrás:
O Discurso como Mercadoria: Assim como os sofistas, definidos por Platão como “comerciantes que vendem mercadorias para a alma”, Miorim não tem qualquer compromisso com a verdade. Seu discurso é uma commodity, sempre condicionado à captação de relevância, atenção e holofotes. A retórica, para ele, é um mero utensílio de autopromoção.
A Prática da Erística (Vencer por Cansaço): Os sofistas dominavam a erística, a arte de discutir puramente pela vitória, ignorando os fatos. Quando encurralado por argumentos sólidos, ele recorre à sua verborreia habitual, gerando confusas e quilométricas paredes de texto para esgotar o oponente, alterar o objeto do debate e soterrar críticas legítimas pelo puro cansaço.
A Desqualificação Alheia como Branding: Para viabilizar seus projetos e sustentar sua ilusão de superioridade, ele precisa criar um teatro público onde todos os outros pareçam ignorantes e não o merecem. Ao rotular quem não se curva ao seu ego inflado como “burro” ou “mentiroso”, ele encena um triunfo infantil contra espantalhos que ele mesmo fabricou.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A ANATOMIA DE UM PADRÃO
Para quem acompanha esses fatos de fora, ou talvez tenha chegado recentemente a este ecossistema, é natural que surjam dúvidas e até uma simpatia inicial. Isolados, alguns episódios podem parecer meros desentendimentos cotidianos de internet ou choques de ego inevitáveis. No entanto, quando nos afastamos do ruído imediato do algoritmo e olhamos para o panorama geral, a perspectiva muda drasticamente. Este registro não nasce de um rancor passageiro, mas da constatação madura de um comportamento que se desenhou de forma paulatina ao longo de anos.
Quem esteve presente de forma constante lembra: havia sempre uma atmosfera de extrema estranheza rondando as atitudes de Miorim, principalmente em eventos presenciais. Era incômodo vê-lo, por exemplo, tentando pagar por tudo e “bancar” os rolês, aparecendo do nada em São Paulo para eventos de bar, enquanto publicamente sustentava a narrativa de que era um sujeito pobre da “quebgada” que morava no pé de uma favela no Rio de Janeiro. Não se tratava de uma discordância teórica saudável, mas sim da percepção clara de que as suas intenções profundas nunca se alinhavam com o discurso de fachada e havia outros interesses por trás dele.
Essa estranheza, longe de ser um mal-entendido, era periodicamente reforçada por suas próprias ações. Cada surto público, cada projeto editorial duvidoso, cada tentativa de armadilha retórica e cada nova informação que surgia dos bastidores serviam como peças de um quebra-cabeça que sempre apontava para o mesmo lugar: o oportunismo.
Com uma figura como Miorim e seus colaboradores, o diálogo aberto e presumir boa-fé, que sempre dediquei a outras pessoas ao longo dos anos, tornam-se uma imprudência. Ele opera por meio do subterfúgio, da descontextualização deliberada e do jogo de cartas marcadas para extrair o que deseja. Desde o início, suas ações revelaram uma profunda má-fé. É compreensível que terceiros tenham dificuldade em enxergar essa faceta, afinal, eles não foram o alvo primário e declarado de seu teatrinho como eu fui, um alvo que ele próprio fez questão de admitir publicamente.
Essa toxicidade nos bastidores colheu frutos amargos: Miorim conseguiu afastar do libertarianismo muitas pessoas, inclusive indivíduos muito próximos a mim. Eles jamais deixaram de defender as ideias e os princípios teóricos, mas simplesmente recusavam-se a continuar associados a um ambiente maculado por esse tipo de baixeza.
Perversamente, Miorim se valeu desse afastamento para construir outra narrativa mentirosa de que eu havia brigado com meus amigos. A realidade, contudo, é o inverso: esses mesmos amigos me recomendavam parar de gravar vídeos, preocupados com o retorno negativo e com a péssima associação que a mera presença dele trazia ao meio.
O erro fundamental do Miorim é projetar em mim a sua própria carência por aplausos e validação. Eu não estou aqui por fama, reconhecimento, cliques ou dinheiro. Meu foco sempre foi, e continua sendo, a formação de comunidades reais. O fato de eu ter evitado dar palco a ele e ter me recusado a responder nos moldes e no ritmo que o seu desespero algorítmico exigia é a prova cabal de que a minha posição está completamente vindicada pelo tempo e pelos fatos históricos.
Hoje, Miorim tenta vender uma nova persona. Um branding pacificado, maquiado, polido por uma equipe de produção e embalado para o consumo de uma nova audiência de direita. Mas a mente operante continua a mesma. Nenhuma maquiagem engana quem já o viu desmascarado na realidade prática.
Perante o peso da história, ele não possui uma linha sequer de defesa real a o que escrevi. Suas ações são previsíveis e rasteiras. Insistir nesse tema não trará frutos novos, serviria unicamente para dissecar, de forma cada vez mais profunda e categórica, a sua absoluta falta de caráter. No fim, contra a paciência do tempo, nenhuma embalagem de marketing sobrevive. E lembre-se:
O Miorim sempre lhe dirá o que aconteceu com ele, mas nunca o porquê.
Excelente texto. Esclarece muitas coisas. Já passou da hora de voltarmos ao debate intelectual sério a respeito de usura e teoria libertária, como você tem avançado aqui no Brasil. O debate não deve ser capturado por agoristas. By the way, os gordos falaram do seu texto nessa live hoje: https://www.youtube.com/live/ko-bG4wSwdM?si=tuo-H9jjZJ-fL0Ez&t=9980