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LAUDO PERICIAL GRAFODOCUMENTOSCOPICO N. 29701/2022
Aos 25 (vinte e cinco) dias do mês de agosto do ano de dois mil e vinte e
dois (2022), na cidade de Maceió, Estado de Alagoas, o perito especializado em
Grafotécnica Bruno Francisco Siqueira Silva, portador do RG No 3009101-2
SSP/AL, Perito Grafotécnico do Tribunal Regional do Trabalho da 19a Região,
Perito Judicial do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, com registro no
Cadastro Nacional de Peritos Particulares de n. 1964, em conformidade com a
legislação e os dispositivos regulamentares vigentes, por solicitação expressa
do(a) cliente Sr. Yuri Maria Timotheo Guimarães de Almeida Baranhuk,
foi incumbido de proceder aos exames periciais a fim de ser atendida sua
solicitação.
Esgotados todos os recursos possíveis para melhor condução e
elaboração do trabalho pericial grafotécnico / Documentoscópico, passo a
apresentar os resultados obtidos.
I. PEÇA DE EXAME
Tratam-se de 04 (quatro) cartas, que contêm conteúdo gráfico escrito
em idioma estrangeiro, tendo os claros escrito com caneta esferográfica.
II. OBJETIVO DA PERÍCIA
Consiste na análise e pronunciamento acerca das grafias contidas nas
“peças de exame” para definir se as mesmas tiveram origem, ou não, do punho
mesmo punho caligráfico.
III. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Antes de mais nada, é importante frisar que a perícia grafotécnica é uma
ciência ampla e para o correto desenvolvimento o Perito necessita se formar
em cursos que geralmente duram centenas de horas além é claro de ter muitas
outras centenas de estudos extras, antes mesmo de se fazer um único Laudo
pericial, soma-se estes fatores a compra de livros especializados, participação
em congressos e seminários e dedicação total a profissão escolhida.
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Todos estes fatores levam o especialista a ter plenas condições de atestar
autoria de punho caligráfico, baseando-se no uso da técnica e da ciência, com
total probabilidade e certeza de seu resultado final.
Cabe esclarecer que para a constatação de autenticidade de punho
caligráfico, se faz necessário a realização de vários exames grafotécnicos e das
características decorrentes de cada tipo de escrita.
Existem também outras dezenas de características e exames que podem
facilmente ser efetuados em reprografias, que sempre deixaram elementos
favoravelmente em seus trabalhos e obras publicadas, entre eles podemos
citar:
Os exames grafotécnicos de cópias podem ser realizados normalmente,
desde que se limitem à origem da própria cópias.” (Tito Lívio Ferreira
Gomide e Lívio Gomide, Manual de Grafoscopia, Editora Leud)
“A resistência, e negativa sumaria, em periciar quaisquer espécie de
reproduções, iniciou-se poucos anos após o surgimento das fotocópias.
Essa corrente foi, de plano, predominante. Hoje, no Brasil, está restrita
a pouquíssimos e retrógrados defensores.” (José Del Picchia Filho, Celso
M. R. Del Picchia e Ana Maura G. Del Picchia, Tratado de
Documentoscopia, Editora Pillares)
“Se solicitado o exame pericial pela autoridade competente sobre
reprodução xerográfica de documento, com a declaração expressa de
não ser possível a realização de tal exame no próprio original, é licito
ao Perito proceder à realização do exame solicitado na dita xerocopia.”
(Professor e Perito Ernesto Parello – IV Congresso Nacional de
Criminalística – Brasília/DF – 1977.)
“....recusando o exame o Perito deixará de esclarecer à Justiça. Em
muitos casos, colaborará, decisivamente, com os falsários e
criminosos.” (Ascendino Cavalcanti e Evson Lira, Grafoscopia Essencial,
Editora Sagra-Luzzatto)
Afirmar a autenticidade ou a falsidade de impressos gráficos
questionados não é tarefa fácil, pois ao fazê-lo o Perito tem que ter certeza
absoluta do resultado Pericial, pois o seu laudo será uma importante
ferramenta que suprirá as autoridades no esclarecimento da verdade.
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IV. ESCLARECIMENTOS
A grafoscopia objetiva detectar a autenticidade ou não e/ou o verdadeiro
autor de um escrito seja num texto completo ou em apenas uma rubrica.
Assinaturas e textos geralmente apresentam diversas diferenças e
semelhanças, e é através destas diferenças e semelhanças que encontramos
por meio de comparação o real autor do escrito.
Para um melhor entendimento da grafoscopia se faz necessário citar
alguns estudos do famoso Perito Solange Pellat que nos traz quatro conceitos
básicos sobre o grafocinetismo:
1o - O gesto gráfico está sob a influência direta do cérebro. Sua forma
não é modificada pelo órgão escritor, caso este funcione normalmente
e se encontre suficientemente adaptado á sua função.
2o - Quando alguém escreve, o Eu está em ação, mas o sentimento
quase inconsciente de que o Eu age passa por alternativas de
intensidade e de enfraquecimento. Ele está em seu máximo de
intensidade onde existe um esforço a fazer, isto é, nos inícios; e no
mínimo, onde o movimento escritural é secundado pelo impulso
adquirido, isto é, nas extremidades.
3o - O grafismo natural não pode ser modificado voluntariamente, senão
pela introdução no traçado de características do esforço despendido.
4o - O escritor que age em circunstancia em que o ato de escrever é
particularmente difícil, traça instintivamente as formas de letras que lhe
são mais costumeiras, ou as mais simples, de esquema fácil de ser
construído.
Outra questão a ser mencionada, que diz respeito a uma das principais
ações a serem tomadas para correta condução e estabelecimento da conclusão
pericial, é a realização da coleta de padrões com as técnicas adequadas.
A importância desta questão se deve ao fato de que todo o trabalho
pericial se fundamenta na qualidade dos padrões coletados pelo perito, pois,
todas as circunstâncias que envolvem uma coleta de padrões bem-sucedida
serão evidenciadas, haja vista a importância de tal tema no contexto pericial.
E aqui, o fator psicológico adquire uma importância essencial, já que em
determinadas ocasiões o sentimento de culpa e medo interfiram sobre o
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lançamento do grafismo, tendendo a mascarar as características pessoais.
Neste caso poderá ocorrer o abandono do gesto gráfico, comprometendo a
qualidade das peças paradigmáticas, principalmente, se o indivíduo escritor
tiver ciência das peças a serem analisadas.
O expediente fraudulento do disfarce gráfico fica evidenciado pelo
artificialismo, costumeiramente representado por variações nos elementos
genéricos, principalmente na inclinação e calibre, bem como na genética, com
alternâncias de intensidade na pressão e progressão.
Considerando a 3a. Lei de Solange Pellat, acima transcrita, fica evidente
que o simulador se trairá, através de paradas súbitas, desvios, quebras de
direção, variações gráficas e outros artificialismos, no decorrer da coleta de
padrões. Daí, seria conveniente, também, os exames dos finais dos
lançamentos, onde os maneirismos gráficos ocorrerão com mais frequência,
possibilitando a verdadeira identificação gráfica, aplicando-se, aqui, a 2a. Lei
de Solange Pellat.
V. APARELHOS UTILIZADOS
Foram utilizados durante os exames: scanner, Ampliador óptico digital,
réguas milimetradas, e diversos outros instrumentos de medição disponíveis
inclusive na esfera digital.
VI. ANÁLISE SE O CONTEÚDO CALÍGRÁFICO DAS PEÇAS EXAMES
TIVERAM ORIGEM DO MESMO PUNHO.
O Perito Grafotécnico analisando os documentos em questão
integralmente, chegou-se à conclusão que as grafias lançadas nas “Peças de
Exame” PROVIERAM do mesmo punho caligráfico.
Dentro os elementos convergentes podemos citar:
Dinamismo de Punho
Grau de Habilidade
Ritmo de Escrita
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Velocidade
Espontaneidade
Ataques
Remates
Pressão
Evolução
Calibre
Tipo de Escrita
Espaçamentos
Alinhamento
Ligações Laterais
Ligações Ascendentes
Inclinação Axial
Mínimos Gráficos
Valores Angulares e Curvilíneos
Assim, passo nas páginas seguintes a fundamentar as convergências
apontadas no presente laudo, sendo as imagens abaixo as peças em exame.
Peça exame 01
Peça Exame 02
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Peça Exame 03
Peça Exame 04