São Paulo, sexta, 31 de julho de 1998

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Telefónica compra ações de japoneses

ISABEL CLEMENTE
da Sucursal do Rio

O apetite dos espanhóis da Telefónica de España não acabou com o fim do leilão da Telebrás. Ontem, compraram a quase todas as ações que estavam com dois grupos japoneses, Itochu e NTT Mobili, minoritários na Tele Sudeste Celular (Rio e Espírito Santo).
Com a renegociação, a Telefónica aumentou seu bloco no consórcio que comprou a companhia de 79% para 93%, enquanto a Itochu e a NTT Mobili, que juntas tinham 13%, ficaram com menos de 1%, segundo a Bolsa do Rio.
A companhia energética Iberdrola, que entrou como investidora na Tele Sudeste Celular, manteve sua fatia: 7% do capital.
Os japoneses, que tinham mais de 9 bilhões de ações, ficaram com mil cada um -uma participação simbólica entre as 64,4 bilhões.
O remanejamento interno de um consórcio podia ser feito até as 14h de ontem, dia seguinte ao leilão, conforme previsto no edital.
A operação da Tele Sudeste, por não ferir as regras de participações relevantes e minoritárias, foi aprovada pela CLC (Câmara de Liquidação e Custódia) da Bolsa do Rio. Foi a única realocação registrada.
A Telefónica, sozinha e em parceria com a Iberdrola na Tele Leste Celular, investiu quase um terço de todo o valor arrecadado no leilão: R$ 7,571 bilhões.
A empresa, que já tinha comprado a gaúcha CRT havia um ano e meio, agora está no comando da Telesp fixa, a mais valiosa vendida anteontem, da celular do Rio e do Espírito Santo e como operadora da companhia celular que atende à Bahia e a Sergipe, onde o sócio majoritário é a Iberdrola.
A Telefónica deverá ainda entrar como sócia da Telesp Celular, arrematada pela Portugal Telecom, empresa com a qual mantém uma relação de troca de participações acionárias. A Portugal Telecom tem 1% da Telefónica, que, por sua vez, tem 3,5% da Portugal.
Seus interesses ainda estão garantidos com a compra da Embratel pela MCI, dos EUA. A Telefónica e a MCI fecharam uma aliança, em março, para montar uma operadora, a Telefónica Panamericana, que atenderá a grandes grupos multinacionais na América Latina.



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