Crusoé: O “compliance paralelo” do Banco Master
Mulher de Moraes alegou ter atuado na “estruturação do departamento de compliance” do banco, mas tinha mais gente atuando nisso, segundo a PF
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou a deflagração da quarta fase da Operação Compliance Zero menciona a existência de uma “espécie de ‘compliance paralelo’ do Banco Master”.
Esse trecho da decisão trata do advogado Daniel Monteiro, preso junto com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Monteiro é apontado pela Polícia Federal como o viabilizador do pagamento da propina do banqueiro Daniel Vorcaro ao ex-presidente do banco público de Brasília, feito por meio da compra de apartamentos em São Paulo e na capital federal.
O total dos pagamentos deveria chegar a 146 milhões de reais, mas foram pagos apenas 74 milhões de reais, porque os investigados teriam ficado sabendo da investigação e decidiram suspender a compra dos imóveis.
A menção a um “compliance paralelo” chama a atenção porque o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, alegou ter prestado serviços de complicance ao Banco Master, com o qual manteve um contrato de 129 milhões de reais, do quais foram pagos cerca de 80 milhões de reais, até a liquidação do banco.
“Na frente documental e financeira relacionada ao esquema das carteiras de crédito fraudulentas, a atuação de Daniel Monteiro também foi descrita como decisiva. A representação sustenta que o escritório Monteiro Ruso funcionou como uma espécie de ‘compliance paralelo’ do Banco Master, fora dos fluxos internos ordinários de controle, inclusive no tocante às operações da Tirreno”, diz a decisão de Mendonça que autorizou as duas prisões na quinta-feira, 16.
Leia mais: Mulher de Moraes se explica sem explicar nada
Esquema de fraude
A Tirreno é tida pela PF como uma empresa de fachada ligada à Cartos Sociedade de Crédito Direto, que teria sido usada num esquema de fraude para fabricar créditos consignados fictícios e movimentar 12,2 bilhões de reais do BRB para o Master.
“Os dados extraídos de aparelhos apreendidos indicariam que Daniel Monteiro participou da elaboração, revisão e ajuste de instrumentos contratuais, declarações, notificações e contranotificações ligadas à Tirreno e às cessões de carteira, inclusive documentos posteriormente associados pelo Banco Central a indícios de fraude. A Polícia Federal menciona, ainda, a participação do escritório na substituição das carteiras da Tirreno e a existência de documento apreendido na residência de Vorcaro indicando repasses financeiros destinados a Daniel Monteiro por ações relativas ao BRB”, segue o despacho.
Ao individualizar a conduta de Monteiro, Mendonça diz que…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)