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Artemis II: pouso é etapa mais crítica da missão; entenda como ocorrerá e onde acompanhar

Roupas especiais, escudo térmico, paraquedas, helicópteros e barcos fazem parte da operação de retorno dos astronautas, que ocorre nesta sexta-feira (10).

Por Ana Clara Caielli Barreiro 9 abr 2026, 19h00 • Atualizado em 9 abr 2026, 19h05
  • A missão Artemis II, da Nasa, entrou para a história da astronomia e dominou as manchetes na última semana.

    No dia 1º de abril, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen decolaram ao espaço para um sobrevoo da Lua. Além de ser a primeira missão lunar tripulada do nosso século, a Artemis II foi responsável por levar à vizinhança lunar, pela primeira vez, uma mulher, uma pessoa negra e uma pessoa não-estadunidense. Eles também se tornaram os humanos que viajaram mais longe da Terra na História.

    Agora, porém, chegou a hora de voltarem para casa – um dos momentos mais críticos da missão. Um dos principais pontos de atenção é o escudo térmico, que protege a nave das temperaturas extremas durante a entrada na atmosfera terrestre. Na missão Artemis I, que testou os sistemas desenvolvidos pela Nasa em um sobrevoo lunar não-tripulado, o escudo apresentou alguns problemas. Esses impasses foram, segundo a Nasa, corrigidos ao longo de mais de três anos e, claro, não podem se repetir novamente numa missão tripulada.

    A estimativa é que cápsula Orion (onde a tripulação está) irá pousar nas águas do Oceano Pacífico, próximo à costa da cidade de San Diego, nos Estados Unidos, amanhã (10 de abril), por volta das 20h07, no horário de Brasília. 

    O horário e o local exatos ainda podem sofrer alterações, devido às condições climáticas ou ao andamento da missão no espaço. A transmissão será feita ao vivo, de forma gratuita, pelo canal da Nasa no YouTube.

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    Antes disso: testes, testes e mais testes

    Os astronautas passarão um total de 10 dias na microgravidade do espaço e não podem simplesmente retornar à gravidade terrestre bruscamente, porque isso representaria um risco à saúde. Eles podem apresentar um quadro de intolerância ortostática, com dificuldade para ficar de pé sem desmaiar ou sentir tontura.

    A prevenção desse e de outros problemas de saúde está, em parte, nas roupas. Primeiro, eles utilizam o famoso uniforme laranja, chamado Orion Crew Survival System Suit, que ajuda a manter a pressão arterial e a circulação estáveis durante o retorno à gravidade.

    Por baixo, os astronautas adicionam uma peça extra, a orthostatic intolerance garment (vestimenta para intolerância ortostática). Apesar de parecer um simples detalhe, ela exerce compressão na parte inferior do corpo, reduzindo os efeitos de intolerância ortostática.

    Assim, alguns dias antes do retorno à Terra, a tripulação realiza uma série de testes com essas vestimentas.

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    Mas esse é apenas um dos primeiros passos do retorno. Na véspera do pouso, os astronautas começaram a preparar a nave, guardando os equipamentos em compartimentos seguros e instalando seus assentos.

    Além disso, eles precisam revisar novamente os procedimentos de reentrada na Terra, do pouso na água e do resgate pela equipe da Nasa. Essas etapas já foram treinadas previamente com réplicas da espaçonave, simulando desde a saída segura da cápsula, em diferentes cenários, até o embarque nas embarcações de resgate.

    Fotografia dos astronautas da missão Artemis II durante o treinamento de sobrevivência e recuperação na água no Laboratório de Flutuabilidade Neutra da NASA.
    (NASA/Josh Valcarcel/Divulgação)

    Passo a passo do pouso da Artemis II:

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    Quando a cápsula entrar na atmosfera terrestre, enfrentará condições extremas. A velocidade chega a mais de 40 mil quilômetros por hora – velocidade suficiente para ir de Nova York a Tóquio em 20 minutos –, e as temperaturas se aproximam dos 2760 °C. Nesse momento, é comum que haja uma breve perda de comunicação com a Nasa.

    Para proteger o interior da nave da temperatura, entra em ação o escudo térmico, essencial para a segurança. Para desacelerar a descida, mais de dez paraquedas são acionados gradualmente, em momentos específicos. Os últimos são três paraquedas listrados, um sinal de que tudo está ocorrendo como previsto.

    Ao atingir a superfície terrestre, a cápsula Orion estará a cerca de 32 quilômetros por hora, realizando o chamado splashdown (amerissagem) no oceano.

    Uma equipe composta por especialistas da Nasa e da Marinha dos Estados Unidos já estará posicionada nas proximidades, pelo menos uma hora antes, pronta para o resgate. No entanto, os paraquedas liberam detritos que, devido ao vento, demoram um pouco para cair do céu.

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    Por isso, no momento do pouso, a equipe não pode se aproximar imediatamente e precisa aguardar até ter certeza de que não há mais riscos. Além disso, o sistema de resfriamento da nave utiliza amônia, uma substância tóxica, sendo necessário verificar se ainda há a presença dela antes da aproximação.

    A Orion conta com sistemas de monitoramento e, no local, haverá helicópteros com câmeras que auxiliam na localização da cápsula e dos destroços. 

    Se tudo correr bem, os primeiros a entrar na cápsula são médicos, responsáveis por avaliar os astronautas. Sem complicações, eles são retirados da nave e levados para embarcações. Eles passam por novas avaliações médicas e, depois, seguem de helicóptero.

    Ao chegarem ao continente, os astronautas embarcam em uma aeronave com destino ao Centro Espacial Johnson, no Texas, que possui estrutura especializada para avaliações pós-missão espacial.

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    A própria espaçonave é recuperada. Ela é colocada em um navio e transportada até a costa americana. 

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