(cache)Mercado de baterias deve atingir R$ 50 bi no país | Empresas | Valor Econômico
Empresas
PUBLICIDADE
Por
Fábio Couto
e
Fernanda Guimarães
— Do Rio e de São Paulo


O mercado de energia brasileiro deve atravessar uma nova fronteira em 2026 com o início dos investimentos em baterias para o armazenamento de eletricidade, com investimentos que podem somar ao menos R$ 50 bilhões nos próximos anos, conforme estimativa de especialistas. O primeiro leilão da modalidade está previsto, inicialmente, para ocorrer em abril.

Os sistemas de armazenamento são vistos como uma das principais saídas para resolver uma das maiores dores do setor elétrico do país: a sobreoferta estrutural de energia durante o dia, especialmente, de geração solar, com a saída da fonte do sistema no período noturno, quando ocorre o pico de consumo.

Para evitar desequilíbrio nas redes elétricas durante o dia, quando a demanda é baixa em relação à produção, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem promovido cortes de geração, conhecidos no Brasil pelo jargão em inglês “curtailment”, algo que tem trazido estresse financeiro em diversas empresas do setor.

As expectativas para o leilão, assim, são grandes, mas ele pode atrasar. O sócio da área de energia do escritório Pinheiro Neto Advogados, José Roberto Oliva Junior, avalia que houve sinalização de que o leilão inicialmente previsto para abril seja postergado para junho. Segundo o especialista, ainda há dois principais pontos a serem resolvidos. O primeiro sobre como será a distribuição dos custos: no desenho atual, as despesas ficariam apenas com os geradores. Há também a questão da dupla tarifação sobre os consumidores.

“Da forma que está sendo estruturado se teria uma tarifa dupla, se pagaria como consumidor para armazenar e como gerador para injetar a energia”, afirma. Para Oliva, se esses pontos forem resolvidos, pode se reduzir o risco de judicialização. “Se aumenta também o nível de competitividade. A bateria veio para ficar”, afirma.

A despeito dessas incertezas, Oliva conta que as consultas no escritório são grandes, inclusive de chinesas que estão estudando produção de baterias no Brasil. Dos fabricantes locais, apontou, há a WEG e Baterias Moura.

A visão é que esses sistemas de armazenamento vão ajudar o mercado de energias renováveis. Nesse segmento, os cortes de geração já têm promovido retração na construção em novas usinas: 2025 foi o ano com o menor nível de investimentos em eólicas e solares fotovoltaicas desde 2019, ressaltou Rafael Rabioglio, chefe de pesquisa para a América Latina na BloombergNEF. Uma das principais tendências apontadas pela BloombergNEF é que o armazenamento de energia no país e na América Latina deve ter em 2026 um ano decisivo.

O responsável pela área de energia do Santander Brasil, Julio Meirelles, afirma que outros países, como o Reino Unido, já enfrentaram esse problema e que o Brasil é visto como uma próxima fronteira. Além de Europa e Estados Unidos, Chile e China também são mercados maduros para o segmento. “Hoje, um dos principais problemas do setor é a sobreoferta estrutural de energia durante o dia e falta de potência disponível para atender os picos de consumo.”

Um dos principais problemas é a falta de potência disponível para os picos de consumo”
— Julio Meirelles

Meirelles lembra que as baterias trazem ainda flexibilidade, outra tendência observada. Ele aponta que os ultraelétricos intensivos, casos dos “data center”, precisam de energias sem intermitência por 24 horas. O executivo aponta que esse cenário tem encarecido o preço da energia. Com as baterias, diz, não só se adiciona flexibilidade ao sistema mas também a desejada entrega de potência.

O leilão de baterias, segundo ele, já tem movimentado diversos “players”, de diferentes perfis. Além das empresas de energia verticalizadas, estão atentos geradores, transmissores, fundos de private equity, fornecedores e prestadores de serviços no geral, como consultores e financiados, segundo Meirelles, do Santander.

Oliva, do Pinheiro Neto, aponta que o mercado de baterias faz parte, assim, do “pacote do setor elétrico”, visto que ela atua ao dar uma resposta à variação da carga e geração, de forma complementar às renováveis. Fora isso, viria para ajudar na crise das empresas de energia desse setor, que está com grandes perdas por conta do “curtailment”. Segundo ele, o leilão deste ano tem demanda prevista de 2 gigawatts (GW), mas as estimativas do mercado mostram que seria necessário ao menos 5 GW. E que haveria demanda de mercado para esse volume.

A tendência de crescimento é em toda região da América Latina. Aumento na construção de instalações no Chile, o primeiro leilão de baterias do Brasil, o novo marco legal do México para a modalidade e a entrada em operação das primeiras centrais com capacidades contratadas na Argentina deverão marcar o início de um boom regional de armazenamento, projeta Rabioglio, da BloombergNEF, que estima uma adição de 12 gigawatts-hora (GWh) em sistemas de baterias na América Latina em 2026, o que significa mais do que o dobro da capacidade atual. No Brasil, o primeiro leilão é visto com grande atenção pelo mercado por ser considerado um caminho para reduzir o “curtailment”.

O mercado de armazenamento de energia pode vir a crescer de forma exponencial no Brasil, mais ainda não está claro como será a formação desse segmento no país, segundo Rabioglio, da BloombergNEF. Para ele, um cenário que pode se formar é algo entre a indústria eólica e a solar.

No Brasil, houve a formação de uma cadeia de fornecedores de equipamentos eólicos, mas o mesmo não se repetiu com a expansão da energia solar: 90% dos módulos fotovoltaicos são importados da China. O país asiático também é o principal produtor de sistemas de baterias.

Mais recente Próxima Postos de combustíveis alertam sobre alta nos preços no Brasil devido à guerra no Oriente Médio

Conheça o Valor One

Acompanhe os mercados com nossas ferramentas

Mais do Valor Econômico

Reduções de produção em diversos países e restrições ao fluxo pelo Estreito de Ormuz aumentam os temores de escassez

Mercado passa a precificar interrupção prolongada da oferta de petróleo, diz ING

Receios inflacionários levam o mercado a postergar as apostas por cortes pelo Federal Reserve (Fed) e ao avanço dos rendimentos dos Treasuries

Dólar no exterior avança com forte alta do petróleo e apostas no Fed

A ação em questão resultou na morte de 165 pessoas

Investigação indica que EUA foram responsáveis por ataque a uma escola iraniana

Líbano foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah, fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, abriu fogo para vingar a morte do ex-líder supremo iraniano, desencadeando uma nova ofensiva israelense contra o grupo

Hezbollah diz que entrou em confronto com tropas de Israel no leste do Líbano

Ainda é prematuro prever uma nova crise global, mas as incertezas se propagam rapidamente

O barril da guerra e mais riscos para a economia mundial

Caso os pedidos não possam ser assegurados pela unidade prisional, a defesa solicitou a transferência Daniel Vorcaro, dono do banco Master, para outro estabelecimento em Brasília

Defesa de Vorcaro pede ao STF garantias de visitas regulares dos advogados

País é o terceiro maior mercado da companhia e sediará produção exportada para a Europa no final do ano

Nestlé testa no Brasil nova linha de nutrição para público 35+

Meta anterior previa ultrapassar US$ 95 bilhões até 2030

Japão mira US$ 254 bilhões em vendas de semicondutores até 2040

A falta de uma declaração conjunta do grupo de países emergentes mostra que não há um consenso político e militar entre eles, diz o jornal americano

Alinhamento ideológico do Brics é testado diante de guerra no Irã, diz New York Times
ao vivo

Na agenda do dia, relatório Focus é o destaque local; Fed de NY divulga expectativa de inflação americana

Semana começa com petróleo acima de US$ 100 após escalada de tensão no Oriente Médio

Brent caminha do maior ganho diário em dólares desde o início da negociação de contratos futuros em 1988

Petróleo salta mais de 10% e segue acima de US$ 100 com riscos à oferta no Oriente Médio

O medicamento é um tratamento para o prurido colestático, uma coceira interna severa causada por uma doença hepática chamada colangite biliar primária

GSK fecha acordo de licenciamento de até US$ 690 milhões com a italiana Alfasigma

A coexistência de dois sistemas de recolhimento ameaça reintroduzir a insegurança jurídica pelo surgimento de divergências interpretativas e litígios visando à sua resolução

Para a Selic, a mediana das estimativas foi elevada de 12% para 12,13%

Mercado mantém projeções de inflação e PIB em 2026, aponta Focus

Segundo a companhia, o programa poderá ser efetuado mediante aquisição de ações ou na contratação de instrumentos derivativos de liquidação financeira

Simpar aprova programa de recompra de até 43,6% das ações em circulação

A iniciativa faria parte de um pacote mais amplo de US$ 550 bilhões em investimentos e financiamentos japoneses no país

EUA e Japão negociam fábrica de telas de US$ 13 bilhões da Japan Display

Escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou nota em que afirma ter mantido contrato com o banco entre 2025 e novembro de 2025 e detalha atuação: 94 reuniões e 36 pareceres produzidos

Viviane Barci, esposa de Moraes, alega que nunca conduziu causas para o Master no STF e detalha contrato

Disrupção na oferta de petróleo causada pela guerra, com a destruição de estruturas petrolíferas e pelo fechamento, mesmo que parcial, do Estreito de Ormuz, levou os contratos futuros de petróleo a dispararem mais de 13%

Rendimentos dos Treasuries têm avanço firme com alta do petróleo e riscos de estagflação

Com reservas estimadas em 16 milhões de toneladas métricas, a Malásia detém cerca de um terço do volume da China — líder global com 44 milhões de toneladas

Japão fornecerá tecnologia de refino de terras raras à Malásia

Os rendimentos dos títulos de governos europeus subiam acentuadamente

Bolsas da Europa caem 2% com tensão no Oriente Médio; petróleo reacende temor de inflação

O governo do país anunciou que houve feridos e danos no local

Principal refinaria de petróleo do Bahrein é atacada por drones iranianos

A operadora japonesa de lojas de departamento de alto padrão planeja abrir um complexo comercial em 2027 em Hanói, marcando sua primeira nova operação de varejo no exterior em nove anos

Varejista japonesa Takashimaya aposta no exterior para sustentar crescimento

Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi também afirmou que a China está disposta a exercer sua influência como “grande potência responsável” para ajudar a enfrentar a crise humanitária na Faixa de Gaza

China pede fim do 'uso abusivo da força' e cessar-fogo imediato no Irã

Como o real tende a se beneficiar de preços de petróleo mais elevados, a moeda brasileira pode também encontrar suporte nesse movimento

Até hoje, o país depende principalmente de turbinas importadas

Mojtaba Khamenei foi nomeado como líder supremo, sinalizando que a linha dura continua firme no comando do país

Vários vizinhos da Arábia Saudita, que também foram alvo de ataques, reduziram a produção

A ofensiva no maior mercado mundial do destilado ocorre em um momento de reposicionamento global da marca

Suntory, do Japão, planeja triplicar venda de uísque na Índia com foco em blends locais

Desafio é particularmente delicado para o Banco do Japão (BoJ), que vinha seguindo um ciclo de alta de juros — uma exceção na região

Conflito com o Irã vira fator de risco para política monetária na Ásia
    notification icon
    O Valor Econômico gostaria de enviar notificações das principais notícias para você.