(cache)E-mails revelam conexões de Epstein com elite financeira e poderosos do mundo | Mundo | Valor Econômico
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Por
Chris Cook
,
Paul Caruana Galizia
e
Peter Andringa
— Financial Times, de Londres

Um novo lote de arquivos do espólio de Jeffrey Epstein lançou luz sobre uma rede de homens na política, na imprensa e nas finanças ligados pelo poder e pelo acesso às elites globais.

Entre as mais de 20 mil páginas de documentos divulgados na quarta-feira por membros da Comissão de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA estão e-mails trocados entre Epstein e personalidades influentes, como Lawrence Summers, secretário do Tesouro do governo Bill Clinton, Steve Bannon, ex-estrategista-chefe do presidente Donald Trump, e o financista bilionário Leon Black.

O tom dos e-mails é frequentemente jocoso, algumas vezes vulgar e sempre confiante. O conteúdo ressalta os esforços do falecido criminoso sexual para alavancar relações com contatos de grande visibilidade, muitos dos quais continuaram a manter correspondências por bastante tempo depois da primeira condenação de Epstein por crimes sexuais, em 2008.

Os documentos divulgados mostram como Epstein lidou com sua notoriedade crescente ao longo dos anos 2010, enquanto uma série de processos judiciais eram movidos contra ele.

Trump, que estava em seu primeiro mandato como presidente durante parte do período em que os e-mails foram escritos, é mencionado neles com frequência, mas não é um dos interlocutores.

Em uma troca de e-mails de 2017, Epstein perguntou a Summers sobre a conferência do Fundo de Investimento Público (PIF, na sigla em inglês) da Arábia Saudita. “Estive lá. Falei bem”, respondeu Summers, que em seguida perguntou ao criminoso sexual: “Como é a vida entre os que têm dinheiro e os devassos?”

Summers, que também foi presidente da Universidade de Harvard, disse que na conferência “falou sem parar sobre inclusão”. E acrescentou: “Observei que metade do QI do mundo pertencia a mulheres, sem mencionar que elas são mais de 51% da população”.

Ele descreveu Trump, que acabara de ganhar a eleição presidencial de 2016, como “o cara mais sortudo do mundo em termos de oposição”.

Em uma troca de e-mails com Summers em 2018, Epstein escreveu que o atual presidente americano “beirava a insanidade”.

No mesmo ano, em uma troca de e-mails com Landon Thomas, então jornalista do New York Times, Epstein descreveu Trump como “de uma maldade inacreditável” e comentou que a maneira como ele lidou com o suposto encontro sexual com a atriz pornô Stormy Daniels foi com “mentiras atrás de mentiras atrás de mentiras”.

Summers, que foi contatado para comentar o assunto, declarou anteriormente que se arrepende do relacionamento com Epstein.

Os e-mails oferecem uma visão mais clara sobre o que Epstein fazia de fato por seus clientes - um assunto que é alvo de especulações há muito tempo.

Uma série de e-mails trocados entre 2014 e 2016 mostra Epstein estreitamente ligado nos negócios de Black, aconselhando-o sobre compras de obras de arte, questões tributárias e a gestão da editora de livros de arte Phaidon Press, que o bilionário adquiriu em 2012.

“Leon, como você sabe muito bem, há poucas coisas que eu não farei por você, ou pelo menos tentarei fazer como amigo, e muitas coisas que eu já fiz (tanto conhecidas como algumas que precisarão permanecer desconhecidas)”, escreveu Epstein. “Nosso arranjo era que eu arquitetasse estruturas sofisticadas que seriam benéficas para você”, acrescentou.

Ele também criticou a equipe do escritório familiar de Black e sugeriu que o bilionário substituísse um gerente que chamou de “gentil, mas meio bobo” e pusesse o próprio Epstein como a autoridade máxima.

“Seu escritório familiar precisa de um pai. Crianças com boas intenções estão correndo para cima e para baixo, trocando alfinetadas, implicando com picuinhas, com pouco direcionamento.”, disse. Epstein propôs contratar um CEO. “Todos se reportariam a ele... Mas ele trabalharia para mim.”

Em troca de sua assistência, Epstein exigiu de Black pagamentos regulares na casa das dezenas de milhões de dólares.

“Para ajudá-lo, e estou profundamente ciente da sua situação financeira atual, portanto considerarei um pagamento em espécie, imóveis (Miami), obras de arte, financiamento do meu novo avião (o que lhe permite parcelar o valor ao longo de anos) ou, claro, a opção preferida, dinheiro”, escreveu em uma mensagem de 2016.

Epstein (à esq.) com Trump na mansão de Mar-a-Lago, em foto de 1997 — Foto: Davidoff Studios/Getty Images
Epstein (à esq.) com Trump na mansão de Mar-a-Lago, em foto de 1997 — Foto: Davidoff Studios/Getty Images

“É claro que, em relação a quaisquer questões não financeiras, estou sempre à sua disposição e continuarei a ser o melhor amigo que puder ser”, acrescentou.

Susan Estrich, advogada de Black, afirmou que uma investigação realizada há quatro anos pelo escritório de advocacia Dechert concluiu que o bilionário “não tinha nenhum conhecimento das atividades criminosas de Epstein” e lhe pagou “apenas por consultoria de planejamento tributário e patrimonial”.

Os e-mails também mostram como a relação entre Epstein e Andrew Mountbatten-Windsor tornou-se um problema na vida de ambos. Os laços do então príncipe Andrew, do Reino Unido, com o criminoso sexual prejudicaram sua imagem pública. Por sua vez, o interesse da imprensa em Andrew alimentou a atenção sobre Epstein.

Os dois trocaram ideias sobre como lidar com os meios de comunicação. Em 2011, em um e-mail, Andrew perguntou a Epstein como ele planejava responder a uma investigação do jornal dominical Mail on Sunday que incluía acusações de que o ex-príncipe tivera relações sexuais com uma garota de 17 anos, Virginia Giuffre.

“Não tenho certeza de como responder, a única pessoa com quem ela não fez sexo foi Elvis”, escreveu Epstein de volta.

Em seguida, Andrew enviou um e-mail para Ghislaine Maxwell, amiga de longa data do ex-príncipe e ex-namorada de Epstein, que hoje cumpre uma pena de 20 anos por conspiração para tráfico sexual de menores. Nessa troca de mensagens, ele escreveu: “Olá! Que história é essa? Não sei nada sobre isso! Você precisa DIZER isso, por favor. Isso não tem NADA a ver comigo. Não aguento mais isso.”

Epstein pareceu endossar a posição de Andrew para outros meios de comunicação. Ele classificou a história de “uma completa besteira” em uma troca de e-mails com Thomas, do New York Times. “O Daily Mail pagou dinheiro a ela, eles admitiram isso, com a alegação de que foi preciso dinheiro para arrancar a verdade.”

Mas Epstein também pareceu confirmar a veracidade de uma fotografia de 2001 em que Andrew segura Giuffre pela cintura. "Sim, ela tirou uma foto com Andrew, como muitos dos meus funcionários fizeram”, escreveu ele.

Em uma entrevista à BBC em 2019, o ainda príncipe Andrew sugeriu que a foto poderia ter sido adulterada, pois “não lembrava de maneira nenhuma que ela tivesse sido tirada”.

Em um e-mail de 2016 para o lorde Peter Mandelson, cuja associação com Epstein lhe custaria mais tarde o posto de embaixador do Reino Unido em Washington, o criminoso sexual escreveu: “Você estava certo em se manter afastado de Andrew.”

Em sua resposta, Mandelson observou: “Sim, sem Andrew a coisa não teria chegado ao ponto de fúria em que chegou.”

Em 2022, Andrew fechou um acordo para resolver o caso fora dos tribunais e pagou uma indenização a Giuffre, que se suicidou no início deste ano.

Mandelson disse ao Financial Times que não tinha comentários a fazer, mas observou que “ninguém e nenhum e-mail sugeriu qualquer ilegalidade da minha parte ou que eu tivesse conhecimento de ilegalidades”.

À medida que a pressão sobre Epstein crescia, ele fez contato com assessores de imprensa - alguns formais, outros informais - na tentativa de acalmar o clamor público cada vez maior que acabou por levá-lo de novo à prisão.

Em junho de 2011, a empresa de relações públicas Osborne and Partners deu um conselho a Epstein: “Já que é um objetivo inequívoco do Daily Mail e do Mail on Sunday derrubar o príncipe Andrew, é desastroso para você que seja visto como alguém que de alguma forma facilitou seu estilo de vida ou o ajudou com seus problemas bem conhecidos.”

No mês seguinte, Epstein escreveu a Peggy Siegal - uma profissional de relações públicas do ramo do entretenimento que ele já tinha havia abordado em busca de assistência - para sugerir um plano de ação que poderia ajudar o príncipe em dificuldades.

“A garota que acusou o príncipe Andrew pode... ser provado que é uma mentirosa. Acho que o Palácio de Buckingham adoraria isso”, comentou ele. “Você deveria encarregar alguém de investigar a garota que causou todo esse stress ao filho da rainha. Eu garanto a você que ela é uma fraude. Você e eu poderemos ir a Ascot pelo resto de nossas vidas.”

O último lote de documentos também revela que Michael Wolff, um proeminente jornalista de Nova York, deu conselhos ao financista em desgraça. Os dois homens discutiram tanto a assessoria de relações públicas de Epstein quanto a de seu conhecido comum, Woody Allen, o diretor de cinema que nega as acusações de abuso sexual feitas contra ele por sua filha.

Em abril de 2019, em resposta ao fato de o Miami Herald ter ganho um prêmio de jornalismo por sua detalhada reportagem investigativa sobre o comportamento de Epstein e o tratamento dado a ele pelos tribunais, Wolff disse: “Olhem para os juízes nesta coisa: é o sistema conservador nos mais perfeitos detalhes.” (Tradução de Lilian Carmona).

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