Ser adulto é adotar uma tolice. Há várias delas. A mais comum, na minha perspectiva, é a de que, ao atingir certa idade e maturidade, logo se sabe quem se é e o que se faz. Fecham suas mentes para certezas que nada têm de propósito, além de prover um conforto ilusório de que se conhece a vida e a si mesmo. Ignoram o medo que é natural de estar vivo.
Crianças são sábias pelo simples fato de estarem abertas a conhecer o mundo e a si mesmas. Não sabem que são sábias — apenas são.
Adolescentes carregam um encanto, e tudo os comove. Tudo arde, tudo é caos e desejo.
Adultos, não. Viram pedras — estáticos em suas mentiras —, a fim de não transparecer o medo do desconhecido: medo de não saber o suficiente, medo de não ser, medo do que os outros pensam. Porque, oras, são adultos — devem saber o que fazem e quem são.
Tudo isso é uma grande mentira.
Venho pensando sobre tempo e maturidade, idade, desencanto com a vida — e todas essas questões que a fase adulta acaba trazendo e pesando.
Sempre que penso que sei algo, verbalizo... e já não sei mais. O pensamento já virou outro, e eu também mudei.
Não dá pra escapar da vida e suas misteriosas maneiras de mostrar que, quando pensamos que sabemos, algo nos atravessa, nos muda, e percebemos que já não sabemos — porque o novo surge, e o medo também. Nada é necessariamente bom ou ruim.