A inteligência artificial 'é um dos maiores engodos que a humanidade já produziu'
A afirmação é do neurocientista Miguel Nicolelis, que participou do evento Despertar 2025, em São Paulo, neste sábado
A inteligência artificial (IA) é "um dois maiores engodos" que a humanidade já produziu, afirma o médico e neurocientista Miguel Nicolelis, em nota. Para ele, a definição desse sistema é "nem inteligente, nem artificial" (Nina). O tema foi abordado durante palestra neste sábado (20) na casa de espetáculos e eventos Vibra São Paulo, na capital paulista. O evento Despertar 2025 é promovido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), criado pelo ex-banqueiro e empresário Eduardo Moura.
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Nicolelis afirma que o acrônimo Nina "descreve a visão da vasta maioria dos neurocientistas da maior venda de 'snakeol' - o óleo de cobra que os americanos usam para descrever o que é enganação”. Nem os próprios neurocientistas conseguem descrever com precisão o que é a inteligência. “O que a gente [neurocientistas] chama de inteligência não tem a ver com o que os 'overlords' [líderes poderosos e dominantes] do 'Silicon Valley' chamam de IA, até porque, nenhum deles sabe o que está produzindo”, diz ele.
O neurocientista afirma que quanto mais as pessoas delegam funções para a máquina, mais perde atributos cognitivos "e o cérebro vai percebendo que não precisa mais gastar energia com isso". Para ilustrar, ele desafia quem sabe de cor dois ou três números de telefone. Isso porque as pessoas se habituaram a deixar os números registrados nos aparelhos, sem precisar memorizar para fazer contato.
"Os grandes atributos da mente humana não são computáveis pela lógica digital, porque nenhum de nós é um computador digital", compara Nicolelis. "Nenhum ser humano se comportou como uma máquina de Turing - que é o nome original do sistema digital”. A máquina de Turing é um modelo matemático teórico criado por Alan Turing, base teórica da ciência da computação.