Ruy Castro

Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras

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Ruy Castro

Pingo de ketchup na gravata

Trump está muito ocupado tentando destruir as instituições americanas para se ocupar com Bolsonaro

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Em coluna recente, arrisquei uma radiografia dos filhos de Bolsonaro e suas respectivas atribuições nas maquinações da quadrilha: Flávio, o escalado para se expor e atrair a atenção; Carlos, o cérebro, astuto e silencioso; e Eduardo, na aparência o idiota da família, mas também matreiro e letal. Vejo agora que estava errado: Eduardo não se faz passar por idiota. É um legítimo e cabal idiota.

As últimas semanas o demonstram. Todas as suas articulações junto aos EUA para falir o Brasil com tarifaços se não inocentasse Bolsonaro deram justamente no contrário: a quebradeira de seus aliados econômicos do agro e das armas e a desmoralização política do próprio Bolsonaro. Só um idiota acreditaria que o ministro Alexandre de Moraes tremeria ao ver cortado um reles cartão de crédito ou que o STF se acoelharia ante tal ataque à soberania do país. O que isso provocou foi um reforço na convicção nacional, vide pesquisas, de que os Bolsonaros só pensam neles e se lixam para o Brasil.

Só um absoluto pacóvio como Eduardo se jactaria de sua intimidade com uma potência estrangeira, acreditando poder manobrá-la indefinidamente para suas miçangas como se ela não tivesse mais que fazer. Donald Trump, neste momento, está com a agenda cheia, ocupado em destruir as instituições dos próprios EUA, além de seus problemas em Israel, na Ucrânia, na China, na Venezuela e outros pontos nevrálgicos do planeta.

Com o pai a dias de receber a primeira das gordas sentenças que lhe caberão, o que Eduardo espera que aconteça? Que Trump encene uma nova Operação Brother Sam, de navios ao largo da costa, como a que garantiria o golpe de 1964 se preciso, ou mande a cavalaria americana para resgatar Bolsonaro? Para Trump, na verdade, Bolsonaro livre ou preso lhe diz menos que um pingo de ketchup na gravata.

Se Eduardo fosse mesmo esperto, trataria de já ir atenuando a pena que receberá assim que pisar aqui. Se espera ficar nos EUA para sempre, pode esquecer. Trump não gosta de imigrantes.

Um homem com barba e cabelo curto, vestido com um terno escuro e uma gravata verde clara, está sentado em um ambiente de escritório moderno. Ele está gesticulando com as mãos enquanto fala, e ao fundo há mesas de trabalho com computadores. A iluminação é clara e o ambiente parece organizado e profissional.
Eduardo Bolsonaro em entrevista à Reuters nos EUA - Jessica Koscielniak- 14.ago.25/Reuters

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