Julio Iglesias nunca foi moderno. E nunca quis ser
Ignacio Peyró escreveu sobre alguém que teve “uma das vidas mais divertidas” do século XX. Não tinha grande voz, não dançava bem e não tinha dotes de compositor. No início, era tímido.
“Ser moderno”, cantam os Irmãos Catita, “não é para toda a gente”. Quem quer ser moderno, tem de ser “malcriado”, “despenteado” e “preferir o twist a Chopin e Liszt”. Julio Iglesias, com o seu cabelo incrivelmente penteado, o seu sorriso impossivelmente branco e a pele eternamente bronzeada, nunca foi moderno, de acordo com o caderno de encargos dos Catita. “Passou pelo seu tempo sem nunca ser filho do seu tempo”, escreve Ignacio Peyró no prólogo de O Espanhol que Encantou o Mundo, a recente biografia sobre o cantor latino mais vendido no mundo. Julio Iglesias nunca quis ser moderno, mas tem estado sempre nas nossas vidas. Fora de moda, mas sempre na moda, antes um sucesso de vendas de impacto planetário, agora uma inócua música de fundo, nunca reenquadrado como produto cultural superior, mas nunca descartado como um produto do seu tempo.







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