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O apagão levou à falta de rede para os telemóveis

JOSÉ COELHO/LUSA

O apagão levou à falta de rede para os telemóveis

JOSÉ COELHO/LUSA

As redes de comunicações móveis falharam. O que aconteceu e podia ser evitado?

As redes móveis falharam depois do apagão de energia. São comunicações eletrónicas e, como tal, dificilmente aguentariam mais horas sem entrarem em apagão completo.

O apagão elétrico provocou, por alastro, um apagão nas comunicações. Por definição, as comunicações eletrónicas não vivem sem energia. Os operadores garantem que conseguiram manter disponíveis os sistemas vitais mas a rede móvel foi falhando à medida que as antenas ficavam indisponíveis por colapso das baterias, e sem a transmissão aos equipamentos terminais, como os telemóveis.

Todos os agentes têm atirado às operadoras de telecomunicações por terem ficado sem as respetivas redes móveis. As operadoras indicam, no entanto, que não é possível ter um sistema que não falhe se não tiver rede elétrica por um longo período de tempo. Houve, conforme foi relatado ao Observador, operadoras que, no entanto, se aguentaram mais do que outras, ainda que os casos relatados variem em algumas situações de zona para zona. O Ministério das Infraestruturas e da Habitação ordenou uma auditoria independente para apurar o que aconteceu, tendo de ser apresentado em 20 dias com “conclusões claras e recomendações concretas”.

Uma coisa é certa. O país ficou às escuras e passado umas horas ficou praticamente sem voz (e internet). Foi por pouco que não ficou mesmo com um apagão nas comunicações móveis a acrescentar ao da luz. A reposição da energia elétrica permitiu que os serviços voltassem a estar disponíveis.

A rede fixa foi abaixo?

A maior parte da rede fixa, ou seja os cabos de fibra ótica e de cobre (que está a ser descontinuado), continuou disponível durante o apagão. Isto porque a rede é constituída, além dos cabos, por equipamentos terminais que estavam com geradores nas centrais de telecomunicações. O problema na rede fixa foi, mesmo, a falta de eletricidade na casa dos consumidores. Sem eletricidade as set top boxes, os routers e as televisões não conseguiam ligar-se.

No entanto, quem tivesse um gerador em casa ou nas empresas continuou com telecomunicações fixas precisamente porque a rede estava disponível.

Porque falhou a rede móvel?

A rede móvel falhou por vários motivos, sendo o principal o facto de as antenas de comunicações (chamadas estações base ou BTS) terem deixado de ter eletricidade e, aos poucos, ficaram sem os sistemas alternativos de alimentação elétrica. Por outro lado, houve ainda quem tivesse problemas com o acesso aos dados móveis (a algumas aplicações) porque alguns operadores restringiram o seu acesso para poupança de energia na arquitetura de rede. Finalmente, os telemóveis também, em alguns casos, deixaram de ter bateria e desligaram. E muitas pessoas não estavam preparadas com powerbanks (baterias sem fios que, por sua vez, têm de estar carregadas).

Como funciona a rede móvel?

A rede móvel tem nas chamadas estações base ou BTS a principal componente. Nestas estão diversos equipamentos e antenas que estão nas torres móveis. As torres móveis, no caso da Meo e da Nos, são atualmente detidas pela Cellnex. Os equipamentos nelas colocados são da responsabilidade dos operadores. A Vodafone mantém tudo sob sua gestão. Mas estes equipamentos e antenas precisam de alimentação elétrica. Cada operador tem pouco menos de seis mil estações base.

Aqui é que residiu o problema. É que cada uma dessas estações tem de ter energia que, em caso de falha de rede elétrica, é dada por baterias, algumas com backups; ou geradores. As baterias de chumbo duram teoricamente quatro horas, mas dependendo da eficiência pode ser mais. Já nas baterias de lítio, que já estão disponíveis em alguns operadores, a duração é maior, pode até chegar às seis horas de autonomia. E aqui pode estar um dos segredos pelos quais as operadoras tiveram disponibilidades da rede diferentes ao longo do dia e das regiões.

Com um apagão de cerca de 10 horas, as baterias não resistiram, mesmo com a existência de sobressalentes.

Quanto aos geradores, estes são mais fáceis de recarregar, porque são à base de gasóleo. Mas alguns operadores reportaram ao Observador dificuldade em aceder ao combustível, apesar das telecomunicações serem um serviço considerado prioritário e o Governo ter decretado crise energética, que determina que estes serviços são um dos que têm direito ao abastecimento de combustíveis. As operadoras conseguiram, algumas vezes pelos seus próprios meios, combustível para alimentar geradores nomeadamente para pontos críticos da rede (centros vitais de operação e centrais de interconexão).

No entanto, a maior parte das BTS disseminadas pelo território são abastecidas por baterias e, como tal, não foi possível recarregá-las. Teria de ir um gerador a cada uma das BTS, o que não era, segundo dizem, comportável. Como também não é economicamente eficiente, acrescentam fontes das operadoras, ter um gerador a gasóleo em cada uma das suas cerca de seis mil BTS. Os operadores, em alguns casos, conseguiram prolongar a autonomia das baterias por terem reconfigurado a rede.

O que fizeram as operadoras?

A tal reconfiguração da rede permitiu às operadoras gerirem mais tempo de autonomia das baterias, permitindo poupança energética. E como? Utilizando faixas de frequências (ondas de radiofrequência que permitem as transmissões sem fios e são hertzianas) que radiam menos e, como tal, poupam energia. O que levou, segundo avançou na altura o Observador, ao desligamento da rede 5G, para que também não fossem consumidos tantos dados. A Meo indicou isso mesmo, que tinha feito a gestão de dados para poder poupar energia. E isso é permitido por lei.

Sandra Maximiano, presidente da Anacom, indica que está a monitorizar o que aconteceu

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Podem as operadoras limitar serviços?

As operadoras podem limitar serviços em casos excecionais. De acordo com o regulamento europeu, e que depois é plasmado num regulamento nacional com procedimentos de Controlo da Gestão Excecional de Tráfego de Acesso à Internet, os operadores podem tomar “medidas mais gravosas do que as medidas razoáveis de gestão do tráfego para a prevenção de congestionamentos iminentes da rede – ou seja, situações em que o congestionamento está prestes a materializar-se – e para a atenuação dos seus efeitos, desde que o congestionamento seja meramente temporário e excecional”. “As situações de congestionamento excecional deverão ser entendidas como imprevisíveis e inevitáveis, tanto nas redes fixas como nas redes móveis”, diz ainda o regulamento.

A Anacom, em respostas ao Observador, salienta que “a Lei das Comunicações Eletrónicas estabelece que as empresas que oferecem redes e serviços de comunicações devem adotar as medidas técnicas e organizacionais proporcionais para gerir adequadamente os riscos para a segurança das redes e serviços por forma a impedir ou minimizar o impacto dos incidentes nos utilizadores e em outras redes e serviços”.

Mas a Anacom acrescenta que “não impõe nem recomenda arquiteturas de rede específicas aos operadores, as quais são definidas pelos próprios operadores”. O regulamento relativo à segurança e à integridade das redes e serviços de comunicações eletrónicas “estabelece medidas específicas que as empresas devem adotar e, para além disso, prevê a adoção de medidas cujo nível de sofisticação varia de acordo com a avaliação de risco feita pela própria empresa, para a prossecução dos objetivos de segurança”.

Há obrigações de redundância, nomeadamente quando falha a rede elétrica?

Não está regulamentada a implementação e mecanismos de redundância específicos, nomeadamente em caso de falha no fornecimento de energia elétrica. “Existem, porém, boas práticas reconhecidas pela indústria a nível internacional que a Anacom sabe que são adotadas pelos operadores em Portugal, incluindo a utilização de sistemas de energia socorrida, elementos de rede e ligações redundantes, ativados em caso de falha sem a necessidade de intervenção humana, que garantem elevados níveis de resiliência”, indica o regulador das comunicações.

A Anacom indica ainda que “a manutenção do serviço em caso de falha de energia exige mecanismos de redundância que tornem a rede resiliente a eventos disruptivos (recorrendo, por exemplo, a baterias, geradores). Estes mecanismos permitem que, em casos de falha da rede elétrica, as redes, ou parte das redes, se possam manter operacionais durante algum tempo adicional, sem prejuízo da diminuição progressiva da disponibilidade dos serviços, tal como se veio a verificar durante o dia de segunda-feira”. Mas não há obrigações.

Por outro lado, colocar geradores (com possibilidade de o gasóleo ser colocado) em cada uma das antenas — são seis mil por cada um dos operadores — significaria um custo muito elevado, sem sustentabilidade económica, e que iria, dizem os operadores, impedir investimentos noutras áreas.

Não era possível outro tipo de redundância da rede, como satélite?

Os operadores não consideram que uma redundância satélite resolveria a situação específica do apagão de segunda-feira. É que também os recetores que permitiriam a redundância satélite precisam de ligação à eletricidade, o que, ainda assim, obrigaria a um menor número de geradores do que as antenas móveis. E não suportaria o tráfego.

A Anacom é taxativa: “A redundância via satélite não permitiria ultrapassar esta questão, já que exigiria igualmente alimentação elétrica dos equipamentos recetores e equipamentos que permitissem esta comunicação. Ainda assim, a capacidade dessa redundância não conseguiria suportar todo o tráfego, limitando-se a assegurar, eventualmente, apenas uma porção reduzida dos serviços essenciais em caso de falha energética, pelo que não poderia assumir-se como uma solução alargada para situações de falha de energia, por períodos prolongados”.

O que fez o regulador, Anacom?

A Anacom, que diz ter estado em permanência em contacto com os operadores (“tanto ao nível das equipas de supervisão e de segurança, bem como ao nível da gestão de topo, o que permitiu o acompanhamento direto da evolução da situação, mas também com o SIS, ERSE, CNCS, entre outras entidades”), admitiu à RTP que vai avaliar a atuação dos operadores durante o apagão. Ao Observador não revelou a monitorização feita, já que continuou em reuniões com os operadores. Mas indica, por outro lado, que atribui “frequências dedicadas a um conjunto de entidades para garantir que não existiam perturbações nas suas comunicações e que estariam plenamente operacionais. Foi o que aconteceu com a Proteção Civil, ANAC, Siresp, GNR e PSP, NAV, SSI, COFA, por exemplo”.

O que o Governo quer que seja auditado?

O Ministério das Infraestruturas e da Habitação ordenou à Anacom (mas também à ANAC, no caso dos aeroportos, e IMT, nos transportes) a realização de uma auditoria independente e “uma análise técnica e aprofundada dos incidentes ocorridos durante o apagão”.  Esta “avaliação independente, com carácter prioritário e urgente, irá traduzir-se num relatório elaborado por cada uma das entidades. O documento deverá ser apresentado no prazo máximo de 20 dias e deve também incluir conclusões claras e recomendações concretas”, indica o comunicado do gabinete de Miguel Pinto Luz.

O Ministério quer que se avalie, no caso das telecomunicações:

  • as causas técnicas e operacionais que conduziram à interrupção dos serviços;
  • a resiliência, redundância e capacidade de recuperação das redes e serviços das empresas de comunicações eletrónicas envolvidas, bem como dos detentores de infraestruturas;
  • que se verifiquem os mecanismos de prevenção, deteção e mitigação de falhas implementados;
  • que se apure a eficácia das comunicações entre as empresas de comunicações eletrónicas e as autoridades públicas durante o evento;
  • avalie o impacto nos serviços críticos e essenciais, com destaque para os sistemas de emergência e proteção civil, das falhas que existiram;
  • que se avalie o cumprimento das obrigações legais e regulamentares por parte das empresas de comunicações eletrónicas ou detentoras de infraestruturas;

E, por fim, depois do dignóstico, o relatório terá de conter “propostas de medidas corretivas, estruturais, regulatórias ou outras consideradas adequadas para assegurar o funcionamento, resiliência e a segurança das redes nacionais de comunicações, bem como da prestação dos respetivos serviços”.

O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, explicou o envio dos SMS tarde

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O que falhou no envio dos SMS da proteção civil?

Os SMS (mensagens curtas) que a proteção civil tem enviado com alertas à população só chegaram tarde na segunda-feira. A proteção civil assume que não foi sua prioridade o envio de SMS, tinha outras situações a acudir. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicou, em conferência de imprensa esta quarta-feira, que o processo de envio de SMS à população iniciou-se às 17h15, tendo sido o SMS “programado e enviado a partir as 18h até às 24h”. A taxa global de entrega “terá sido inferior a 50%”, quando “normalmente atinge os 95%”, indica a mesma autoridade que indica a falta de cobertura de rede, os equipamentos móveis sem bateria e a falta de energia nas células de rede de antenas dos vários operadores.

Os operadores indicam que o pedido para o envio de mensagens chegou até mais tarde, mas também se argumenta que o envio massificado de mensagens iria congestionar, ainda mais, a rede e muitos clientes não iriam receber por estarem já nesse instante sem rede.

A ANEPC diz, por outro lado, que estas mensagens não são consideradas tráfego prioritário.

E o 112?

Telefonar para o 112 também pode ter ficado comprometido por falta de rede móvel. Mas o 112 tem uma especificidade que permite que não fique tão vulnerável. É que para este número funciona o chamado roaming nacional, o mesmo é dizer que um cliente da Meo mesmo estando sem rede Meo consegue ligar para o 112 já que o telemóvel vai à procura da rede disponível, mesmo que seja de um dos concorrentes. O mesmo para falhas da Vodafone ou da Nos.

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