Musk e base de Trump agem nas redes e ampliam pressão sobre governo Lula
Ler resumo da notícia
Elon Musk e congressistas da base mais radical do governo de Donald Trump ampliam a pressão sobre o Brasil. Em uma série de publicações nas redes sociais nos últimos dias, os republicanos e seus aliados reforçaram ataques contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e repetiram a narrativa de que existiria uma suposta censura sendo aplicada no Brasil.
No Palácio do Planalto e entre diplomatas brasileiros, o temor é de que o bolsonarismo tente atrair o governo Trump para a eleição em 2026, no país. Embaixadores experientes também admitiram que essa relação entre as alas mais radicais desses movimentos populistas nos EUA e no Brasil pode abalar os esforços do governo de usar canais tradicionais para negociar com a Casa Branca.
Na sexta-feira, o homem forte do governo Trump, Elon Musk, republicou em suas redes sociais uma postagem que indicava que "brasileiros" protestariam pelo "impeachment de Lula". O bilionário apenas escreveu "Wow". Mas seu gesto chamou a atenção do governo.
Ele não foi o único. O senador republicano Mike Lee foi às redes sociais para insuflar a ideia promovida por bolsonaristas que dinheiro público americano teria sido usado nas eleições em 2022, no Brasil, para supostamente favorecer os adversários do PL. Não há qualquer evidência comprovada neste sentido.
No dia 12, foi o próprio Musk quem levantou a possibilidade de uma "investigação sobre lawfare" quando foi provocado pelo mesmo senador americano sobre uma suposta "interferência de juízes" na eleição. Era uma alusão ao Brasil.
Durante sua segunda viagem aos EUA em menos de um mês, Eduardo Bolsonaro se reuniu nesta semana com os deputados da base de Trump, os republicanos Chris Smith, Rich McCormick, Jim Jordan e Maria Salazar, assim como com o senador Rick Scott.
Eduardo estava ao lado do pai na live que Jair Bolsonaro participou neste sábado com brasileiros que moram nos Estados Unidos e fez novos ataques ao TSE.
Outra estratégia do bolsonarismo é a de tentar usar a visita do relator da OEA para Liberdade de Expressão, Pedro Vaca, para que haja um documento internacional que fale nos supostos abusos do governo Lula e do STF. Ongs brasileiras e deputados e senadores alertaram Vaca sobre essa manipulação.
Mas há um temor de que uma mera frase no relatório final de Vaca seja instrumentalizado pelos bolsonaristas para conseguiu o apoio de Trump em algum tipo de pressão internacional sobre o Brasil. Uma vez mais, é a eleição de 2026 que está no foco.
A relatoria da OEA, de fato, já recebeu uma carta enviada pelos republicanos americanos alertando que, se não tratar das supostas violações no Brasil, seu escritório verá um corte de recursos.
35 comentários
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Aderson Pessoa de Luna Filho
Se as big techs ( e suas redes ) já estavam à serviço do golpismo, da extrema-direita, etc...Agora, "oficialmente" fazendo parte do governo de extrema-direita de Trump...Não vejo muita saída para o campo democrático...
Kleber Barbosa Junior
O mundo está voltando à conjuntura política das décadas de 1920 e 1930 com ascensão do extremismo, da autocracia e da intolerância... a diferença é q 100 anos atrás a Europa era o epicentro do extremismo e os EUA lideravam a democracia... agora, a Europa tenta resistir e o autoritarismo tomou o poder nos EUA...
Kleber Barbosa Junior
A USAID vacinava e alimentava centenas de milhares (ou milhões) crianças refugiadas das cruéis guerras civis africanas... Trump e Musk aboliram essa ajuda fundamental a campos de refugiados e demitiu milhares de médicos e profissionais de assistência... e os "cristãos" bolsonaristas aplaudem isso...