Flávia Boggio

Roteirista. Escreve para programas e séries da Rede Globo

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Flávia Boggio
Descrição de chapéu Todas atletismo

Meia azul para paquerar garante solteirice entre corredores

O acessório não é a solução para a dança, quer dizer, para a corrida do acasalamento

A corrida de rua se tornou um dos maiores hypes dos últimos anos. Com a desculpa de ser um esporte acessível, milhões de brasileiros iniciaram seus treinos para, depois, descobrirem que a atividade é muito mais do que sair correndo. É necessário comprar relógio com GPS, tênis de placa, suplementos, contratar assessoria, nutricionista e personal.

Além de pagar caro para correr na Marginal Pinheiros, os praticantes criaram mais uma moda descabida. A nova tendência entre os corredores é usar meia azul para indicar que estão solteiros. Agora a meia azul é a mais quente.

O movimento é parecido com o de deixar um abacaxi de cabeça para baixo no carrinho para paquerar no supermercado. Mas o praticamente solteiro sai para correr com meias azuis.

Convenhamos que o simples fato de uma pessoa correr de meia azul já explica por que ela está solteira. E é um indicativo de que assim vai continuar, já que ninguém fica bem com o acessório.

Na ilustração de Galvão Bertazzi um corredor esbaforido e sem fôlego corre com uma roupa esportiva extremamente chamativa pelas cores. Ele está completamente sem ar e suando horrores. Ele usa meias azul, indicando que está solteiro. Uma pílula azul de Viagra salta do seu short. Uma corredora vomita ao ver o homem passar. A outra está com a língua pra fora com cara de enojada. O homem está ofegando: PUF PUF! E dele, salta um balão de diálogo com um coração dentro.
Galvão Bertazzi/Folhapress

O traje de corrida por si só não é lá essas coisas. Os calçados combinam rosa-neon com laranja-nuclear. Os óculos são dignos de uma loja Pakalolo dos anos 80. As viseiras, bem, são viseiras. O lookinho do corredor parece meticulosamente projetado para garantir o celibato involuntário.

O estado físico do atleta durante o treino também não ajuda o jogo de sedução, com o rosto mais roxo do que língua de criança no Halloween. Nem mesmo Angelina Jolie deve ficar atraente após um treino de tiro.

A aproximação —que já é complicada em situações normais— fica ainda mais complexa. Para abordar o pretendente, é necessário ter um "pace" (ritmo de corrida) mais rápido que o do alvo para alcançá-lo. Depois, manter a mesma velocidade sem perder o sex appeal.

O corredor também precisa evitar táticas ultrapassadas e cantadas temáticas como: "Você corre sempre aqui?". "Você não é tênis com amortecimento, mas me fez sentir nas nuvens." "Você não é gel energético, mas deu um up na minha corrida". "Você não é prova de 5k, mas fez meu coração disparar".

Isso se o atleta solteiro conseguir manter uma conversa minimamente compreensível a ponto de passar o número do WhatsApp.

A meia azul dificilmente será a solução definitiva para a dança, quer dizer, corrida do acasalamento da espécie corredor de rua. Talvez seja mais negócio ficar no sofá paquerando pelo Tinder.

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