Mabel fala de medidas ainda na atual gestão, 'pacotaço' e plano de 8 anos
Prefeito eleito anuncia nome da equipe de transição, quer ‘tranco forte’ na Comurg e afirma que vai enxugar a máquina, ao prever ‘déficit maior’
Fabiana Pulcineli
O Jackson Abrão Entrevista desta segunda-feira (28) recebe o prefeito eleito Sandro Mabel (União Brasil) que acaba de vencer a corrida pelo Paço Municipal em Goiânia com 55,53% dos votos válidos. O candidato governista obteve virada inédita no 2º turno na capital e alcançou vitória para o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) em teste de força contra ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na foto, o prefeito eleito Sandro Mabel (União Brasil). (Fábio Lima / O Popular)
No primeiro dia após a vitória na eleição em Goiânia, o prefeito eleito Sandro Mabel (UB) já fala em plano de ficar oito anos no cargo e também que quer adotar medidas ainda durante o mandato de Rogério Cruz (SD). Em entrevista a veículos do Grupo Jaime Câmara, na manhã desta segunda-feira (28), ele anunciou o primeiro nome da equipe de transição - o ex-chefe de Gabinete de Iris Rezende Paulo Ortegal - e disse que já tem em mente opções para o secretariado e projetos a serem enviados à Câmara. No entanto, não dá detalhes nem de um nem de outro.
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Do pouco que antecipa, a questão da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) deve gerar polêmica. Mabel diz que haverá um "tranco forte" e corte pela metade dos custos de serviços da empresa. "Essa companhia não pode custar mais de R$ 25 milhões por mês. Ela está custando mais de R$ 50 milhões por mês", afirmou à CBN Goiânia. Mais tarde, ao POPULAR , acrescentou que o cálculo inclui pagamentos ao Consórcio Limpa Gyn. Somados, os repasses da Prefeitura são de quase R$ 70 milhões mensais - sendo R$ 49,6 milhões à companhia e R$ 19,6 milhões ao consórcio.
Sobre questões políticas, Mabel diz que vai trabalhar por candidaturas do grupo governista em 2026 e critica o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela campanha que ele chama de "suja e horrível" na capital. "Botar candidato ruim e extremista, chega no segundo turno é pau", afirma.
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Primeiras medidas
"Eu serei prefeito para toda a Goiânia. Vamos trabalhar para todo mundo. Estou começando a trabalhar a partir de amanhã (terça-feira) porque hoje eu tenho 20 entrevistas. Vou colocar a equipe de transição para trabalhar. Ontem (domingo) eu falei com o prefeito Rogério Cruz, que foi muito solícito e se colocou à disposição para iniciarmos a transição. Conversei também com muitos vereadores porque vamos precisar de muito apoio da Câmara. No dia 2 de janeiro vai ter um pacotaço com uma série de medidas. Muitas delas estão prontas (ao ser questionado pela CBN sobre o teor, respondeu que a repórter estava "curiosa" e que diria mais adiante). E durante a transição vamos ver a necessidade de outras adaptações. Serão muitas dificuldades. O primeiro ano vai ser muito difícil, mas vamos encaminhar as coisas. Vamos começar a trabalhar dentro do mandato do Rogério. Não precisa ficar esperando. Não sou gente de esperar. Vocês vão ver uma dinâmica grande."
Reforma administrativa
"Vamos fazer um enxugamento muito forte da máquina neste primeiro ano. Há um inchaço muito grande. De cinco áreas eu vou tratar pessoalmente, saúde, trânsito, Comurg, Imas e previdência, até que arrume. Gestor tem de ter meta. Eu sou empregado da cidade. Tracei a meta do meu salário. Só vou recebê-lo depois que eu botar a saúde para andar. Vou depositar em uma conta de saúde."
Fornecedores
"Vou estudar o contrato da parceria público-privada (PPP de iluminação pública) esta semana ainda e, se a empresa precisar de garantia do próximo prefeito para começar agora, nós vamos começar. Vamos falar com a empresa e com o Rogério Cruz para começar com a garantia para frente. Vamos organizar a parte de fornecedores, da saúde, do Imas. Vamos olhar o caixa, a capacidade de pagamento para o começo do ano, e aí prometer pagamento em dia a partir da data tal e renegociação da dívida para trás."
Déficit
"Só na saúde tem uma dívida em torno de R$ 500 milhões. Imas tem uma dívida que beira R$ 300 milhões. Tem muitas dívidas ainda não empenhadas, dentro do orçamento, mas existem. Tem alguns milhões de reais retidos de entidades filantrópicas, que o governo federal já repassou. A Prefeitura está usando quando tinha de repassar. Vai ficar em restos a pagar. Isso vai ser grande. No ano passado, houve cancelamento de R$ 300 milhões de restos a pagar e reempenhou no ano seguinte. Nós estimamos, com previsão de técnicos com os dados disponíveis, um déficit maior. Tomara Deus que estejamos enganados. Eu não entro para pagar folha de pagamento. Este ano vai ser difícil. Mas a partir de 2026 vamos ter R$ 1 bilhão (em geral da gestão) por ano para aplicar."
Comurg
"A Comurg vai ter um tranco forte. Essa companhia não pode custar mais de R$ 25 milhões por mês. Ela está custando mais de R$ 50 milhões. Temos de descer muito. Vamos negociar com o Consórcio Limpa Gyn, até falamos com eles sobre isso. Já falei que quero desconto de 50%. Tem de gastar menos na soma dos dois. Os dois contratos têm de custar R$ 25 milhões. Este é o nosso alvo. Não sei se vamos conseguir logo de início. E essa coisa de 200 funcionários com mais de R$ 30 mil de salários, não vai ter. O TCM (Tribunal de Contas dos Municípios) considera que a Comurg é dependente da Prefeitura. Não pode, não pode. Isso inviabiliza o mandato. No nosso plano a Comurg vai faturar para fora. Você tem recolhimento de lixo de grandes fornecedores que não é feito pela Comurg. É um negócio rentável. Por que a Comurg não faz? Vai passar a fazer. A Comurg vai procurar o que fazer e vamos aumentar o faturamento. Vamos tirar da dependência. Ela vai olhar pra frente."
Secretariado
"Quero primeiro entender o tamanho do problema. Dependendo do problema, você dá o remédio. Comurg eu sei o que vai ter de colocar lá dentro. Tem de ser uma equipe de gestão muito forte. Nos primeiros cem dias, tem de fazer uma faxina, então vai ter uma contratação grande de temporários. (Sobre redução de secretarias) Uma porção delas é dispensável. Vão ser juntadas, minimizadas, com redução de cargos. Temos de informatizar muita coisa. A Prefeitura é atrasada. Um cara para trabalhar comigo tem de ter muita disposição. Eu trabalho muito cedo, até tarde. Secretário meu pode esquecer a mulher dele. Quem dorme até tarde e joga videogame não vai trabalhar comigo, não."
Transição
"Temos um nome, que é de Paulo Ortegal. Ele nos ajudou na campanha, é uma pessoa que passou por inúmeros governos, madura. Vai nos orientando e ajudando a montar a equipe. A transição não vai ser a minha equipe de gestão. Não quero confundir uma coisa com a outra. Quando eu chamar vou deixar claro que é pra ajudar na transição, não para ser secretário. Não tenho vínculo nenhum, nem com vereadores. Vou reduzir tudo (da estrutura administrativa), não sei nem o que vai sobrar. Todas vão passar por teste, por currículo. Vou contratar como contrato para a minha empresa. Todo mundo pode indicar (nomes), mas farei um filtro."
Câmara
"Nesse começo, Goiânia precisa estar com todo mundo junto. Desde ontem conversei com três vereadores que não nos apoiaram e agora querem ajudar. As pessoas querem consertar Goiânia. Para o vereador é muito ruim andar na rua e ficar recebendo cobranças. E tivemos índice de reeleição grande. Neste primeiro ano vai todo mundo ajudar muito."
Governo Lula
"Irei buscar ajuda junto ao governo Lula. É o presidente da República, é quem tem dinheiro. Já conversamos com a bancada do PT, com a deputada Adriana Accorsi sobre este assunto. Ela tem disposição de ajudar. Conversei com Olavo Noleto (secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais), que é representante de Goiás no coração do governo federal. Conheço muito o governo Lula porque fui líder do PL nos dois primeiros mandatos de Lula. Conheço a máquina de Brasília por dentro. Vamos buscar bons projetos desde já e garantir um dinheiro bom aqui para Goiânia."
Goiânia 100 anos
"Precisa ter uma inteligência maior. Dentro de três anos vamos ter um dos melhores trânsitos das capitais. Quem vai comandar o trânsito em Goiânia serão os ônibus. Vamos privilegiar o sistema semafórico. BRT vai funcionar que nem metrô. Tem de sair da estação e não parar em nenhum cruzamento. Senão não ganha tempo. Teremos uma sincronização forte. E vamos passar os motociclistas para linhas de ônibus e desafogar o trânsito. Em cem dias, vamos ter velocidade de pelo menos 30% a mais do que o trânsito anda hoje."
Gestão elitista
Eu tinha 27 anos e morava numa casinha pequenininha com meus filhos e, em vez de construir uma mansão para mim, eu construí mais 212 casas para os meus funcionários. Minha vida sempre foi cuidar das pessoas. Eu vou cuidar principalmente de quem precisa. Usaram (a campanha de Fred Rodrigues, PL) uma declaração minha (sobre a diarista reclamar do transporte coletivo) de forma distorcida, malandra, sem vergonha. Nosso adversário fez uma campanha suja, horrível, apoiada por Bolsonaro. Não sei como ele se prestou a ajudar uma campanha dessa. Todo mundo que trabalhou comigo cresceu na vida. Eu nunca vou ser elitista. Eu fui um homem treinado para servir. Só estava criticando o transporte coletivo."
Bolsonaro
"É um cara que ajudei muito, era meu amigo pessoalmente. Quando ele assumiu o governo, me convidou para ser ministro. Fui um dos primeiros a ser convidados. Eu não fui porque eu conhecia o jeito dele. Sabia que eu não ia durar muito tempo lá pela minha forma de agir. Então eu acabei não aceitando, agradeci. Ele vir aqui em Goiânia defender o candidato dele, tudo bem. Agora falar mal de mim, me conhecendo como me conhece? Vir com essa conversa fiada? Isso é o extremismo que perdeu eleição no Brasil inteiro. Ele perdeu a eleição em todas as capitais basicamente. Ganhou só em duas. Esse extremismo não funciona mais. Botar candidato ruim e extremista, chega no segundo turno é pau. Foi o que aconteceu aqui em Goiânia. A direita vai ganhar se for centro-direita, como eu sou. A esquerda só ganhou quando virou centro-esquerda. Antigamente o PT era tudo extremista. Eles aprenderam. A direita precisa aprender. Com Bolsonaro, com extremismo, não vai ganhar nada. Então surge aí um Ronaldo Caiado, surge um Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo), que já vem com uma outra pegada que é essa de vencer as eleições."
Relação com Caiado
O governador tem feito um bom trabalho e tem disposição de ajudar muito Goiânia e Aparecida. Eu tenho toda confiança de que, junto com ele, vamos fazer um bom trabalho, vamos trocar esses ônibus rapidamente. Em dois anos, vamos estar com toda a frota nova. Vamos fazer muitos programas sociais juntos, área de esporte, todas as áreas. Não tenho dúvida de que será um bom companheiro, e vamos reeleger o Daniel (Vilela, MDB),que vai assumir no lugar do Ronaldo. Eu vou trabalhar muito firme com essa candidatura do Ronaldo para presidente da República. Eu acho que ele está preparado, com esse destaque na área de segurança e tudo mais, para fazer um trabalho de centro-direita."
Inundações
"Tivemos o problema de ontem que é grave. Teremos de buscar dinheiro para bons projetos para fazermos a drenagem urbana. Algumas coisas são emergenciais. Eu sei trabalhar e vou montar uma boa equipe."
Uso da máquina
"(Sobre ações na Justiça Eleitoral por eventos no Palácio das Esmeraldas e uso do Goiás Social para favorecimento político durante a campanha). Eu não participei nem de um nem de outro. No Palácio, eu cheguei no finalzinho da conversa. O governador me disse que fez conforme o que a lei permite. O Goiás Social já acontecia antes e eu nunca fui. Nem sei como é. Não participei da ação."
Dois mandatos
Vamos entrar para fazer bastante coisa e já me preparei, desde que o governador escolheu meu nome, para ficar dois mandatos. Já tinha falado isso para a minha mulher. A Michelle (Bolsonaro) vai ter de aceitar comer o biscoito aqui por dois mandatos (a ex-primeira-dama ironizou as bolachas Mabel em evento de Fred na semana passada). Agora falando sério, o pessoal vai gostar de mim. Eu vou fazer um plano de gestão para um ano. Vou fazer tudo que eu puder fazer de emergência. Minha gestão começa agora."
Subsídio do transporte
"A tarifa vai cair daqui um ano e meio porque tem a compra dos ônibus. Nós vamos fazer esses ônibus andarem, em vez de 11 km/h, 15 km/h. Se eu conseguir andar a 20 km/h, eu preciso de metade da frota. Vou aumentar o número de viagens, melhorar o transporte e mesmo assim gastar menos. Vou racionalizar o sistema. O ônibus tem de andar que nem metrô."
Funcionalismo
"Temos de olhar em detalhes as concessões de benefícios. Há categorias que foram muito bem contempladas. De 2022 para 2023, a folha aumentou de R$ 3 bilhões para R$ 4 bilhões. Isso é falta de responsabilidade. Aumentou o porcentual sobre a receita corrente. E aí tem pressão por mais concursado, por planos de carreira. Onde cabe na questão fiscal? Só pode pensar isso se houver espaço fiscal. Arrecadação tem espaço para aumentar. Não é cobrando mais, não é aumentar imposto, mas cobrando de quem não paga. Vamos fazer uma força-tarefa de cobrança agora muito forte.
Administrações regionais
"Vamos fazer um primeiro modelo na Região Noroeste. Lá tem muitos bairros e falta de infraestrutura. Precisa ter um cuidado especial com aquela região. Teremos uma gestão diferenciada. Escolheremos um gestor que vai cuidar de tudo que acontece lá, em todas as áreas."
Alta abstenção
"Nós vamos cuidar deles (eleitores que faltaram) e vão ficar animadinhos na próxima eleição para votar. Uma parcela de 20% normalmente já não vai mesmo por questões específicas. Outra parte é de pessoas iludidas com política, não querem perder tempo em votar, não querem votar em ninguém. (Sobre Goiânia ter tido a segunda maior abstenção entre capitais) Estavam desiluidos com as propostas também. Na próxima eu te garanto que vou baixar essa abstenção."
Secretaria de Finanças
"Tenho em mente alguns nomes. Mas é importante o diagnóstico primeiro. Por exemplo, pedi um estudo sobre o tamanho da sonegação. Se tiver um porcentual muito alto, eu vou escolher um nome bom de arrecadação, que seja experiente nisso. Se o problema maior for gestão de recursos, em Brasília inclusive, aí é outro perfil de secretário da Fazenda. Eu preciso identificar o problema principal. Eu tenho três, quatro nomes na cabeça que serão escolhidos conforme a solução que precisará ser dada. Por isso, vou estar muito ativamente na transição. Vou ficar direto, não vou viajar nem um dia."
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