Descrição de chapéu STF

Gilmar anula condenações de Dirceu na Lava Jato, e petista fica elegível para 2026

Decisão atende a pedido para estender a ex-ministro entendimento que considerou Moro suspeito para julgar Lula

Brasília

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou nesta segunda-feira (28) todas as condenações do ex-juiz Sergio Moro contra o ex-ministro José Dirceu na Lava Jato.

A decisão atende a pedido da defesa. Gilmar concordou em estender ao político a decisão em que o Supremo considerou Moro suspeito para julgar processos contra o presidente Lula (PT).

Dirceu foi condenado pelo então juiz em dois processos, em 2016 e 2017. As penas somavam 34 anos de prisão (uma de 23 anos, outra de 11). A anulação dos atos processuais faz Dirceu retomar os direitos políticos, uma vez que ele deixa de estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

A imagem mostra um homem idoso sorrindo, com cabelo grisalho e óculos. Ele está vestindo uma camisa azul clara e parece estar ao ar livre, com um fundo desfocado que sugere um ambiente natural.
O ex-ministro José Dirceu concede entrevista à Folha na casa dele sua casa em São Paulo - Marlene Bergamo - 13.set.24/Folhapress

Na decisão, Gilmar diz que um conjunto de indícios colhidos especialmente com as mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava Jato mostra que a "mesma falta de isenção" em relação a Lula também impediu que Dirceu "tivesse direito a um julgamento justo e imparcial".

A defesa apresentou a tese de que condenar o ex-ministro petista foi um ato preparatório da Lava Jato para denunciar Lula. Ao concordar com o argumento, o ministro do Supremo comparou a condenação a "um ensaio" da denúncia contra o hoje presidente.

"A confraria formada pelo ex-juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba encarava a condenação de Dirceu como objetivo a ser alcançado para alicerçar as denúncias que, em seguida, seriam oferecidas contra Luiz Inácio Lula da Silva", afirma Gilmar.

O processo está sob sigilo.

A defesa de Dirceu se manifestou em nota do advogado Roberto Podval.

"O ex-ministro José Dirceu recebeu com tranquilidade a decisão do Supremo Tribunal Federal que anula todas as condenações da operação Lava Jato que incidem contra ele. A decisão, que restitui seus direitos políticos, entende que os processos contra Dirceu tinham por objetivo real atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que demonstra a quebra de parcialidade das ações."

"A anulação atende ao pedido da defesa do ex-ministro, que solicitou a extensão da decisão da Segunda Turma do Supremo que considerou parciais as decisões da Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro nos casos que envolvem o presidente Lula. José Dirceu sempre confiou na Justiça."

A primeira condenação de Dirceu na Lava Jato ocorreu em maio de 2016. A sentença de Moro previu 23 anos e três meses de prisão sob acusação de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa pela participação em esquema de contratos superfaturados da construtora Engevix com a Petrobras.

Lula foi indiciado pela Polícia Federal três meses depois, em agosto de 2016, por suspeita de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Dirceu foi citado 72 vezes na denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato no caso, mesmo sem ser acusado. As citações foram usadas para reforçar o argumento da defesa.

"Como os dois foram acusados em processos autônomos —o que se deve a uma estratégia processual do MPF—, a condenação de José Dirceu serviria de suporte lógico e de elemento de corroboração para as acusações contra o atual presidente nas ações do tríplex do Guarujá, sítio de Atibaia e imóvel para o Instituto Lula", diz Gilmar.

Ele cita ainda, na decisão, um diálogo entre procuradores da Lava Jato vazado. Eles falavam sobre a apresentação de denúncia contra a filha de José Dirceu, Camila Ramos, por suposta lavagem de dinheiro.

Na conversa, dizem que vão "fazer uma pressão danada" e que o "homem vai ficar puto" em eventual depoimento de Camila como investigada.

"Resta discutir se [ela] sabia que [o dinheiro] vinha de crime", diz Deltan Dallagnol. O procurador Roberson Pozzobon responde: "Essa prova do conhecimento específico já será mais complicada. Mas brinde ela sabia que não era. Sabia que o pai era mensaleiro".

Gilmar diz que as mensagens indicam que os procuradores da Lava Jato "articularam a acusação contra Camila Ramos como instrumento para exercer pressão psicológica sobre seu pai".

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