Política
O rei da baixaria
Pablo Marçal conseguiu parasitar o debate eleitoral, preso a um anacrônico modelo que não esclarece mais ninguém
“Eu gosto de baixaria, eu gosto do que vocês estão fazendo aqui, vocês estão mexendo com a pessoa errada”, advertiu Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB, durante o debate promovido pela TV Gazeta e pelo canal MyNews no domingo 1º. Quando algum de seus adversários fugia do script e insistia em discutir algum tema relevante para o futuro da cidade mais rica e populosa do País, lá estava o ex-coach para esclarecer a que veio: “Isso aqui não é um jogo para ver quem tem melhor proposta. É para ver quem aguenta mais essa encheção de saco”.
O teatrinho de Marçal dá resultado. O influenciador não perde tempo discutindo propostas, até porque não teria o que apresentar. Quando arriscou propor a criação de uma rede de teleféricos para conectar favelas e estimular o turismo local, virou alvo de chacota nas redes sociais. Ciente de que não tem como vencer no debate de ideias, usa todo o tempo disponível para provocar os adversários com insultos, calúnias e difamações, tudo milimetricamente encenado para caber em vídeos curtos, editados para viralizar na internet. Não precisa sequer mobilizar sua equipe para fazer o trabalho braçal. Em vez disso, promove gincanas, com ofertas de prêmios em dinheiro aos produtores de conteúdo que fazem os melhores cortes, aqueles com maior número de visualizações no pantanoso mundo digital.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Para proteger e incentivar discussões produtivas, os comentários são exclusivos para usuários cadastrados junto a CartaCapital.
Já tem acesso? Faça login
2 comentários