Política

assine e leia

O rei da baixaria

Pablo Marçal conseguiu parasitar o debate eleitoral, preso a um anacrônico modelo que não esclarece mais ninguém

Recompensa. O espetáculo dantesco dá resultado, nas redes e nas pesquisas – Imagem: Nelson Almeida/AFP
Apoie Siga-nos no

“Eu gosto de baixaria, eu gosto do que vocês estão fazendo aqui, vocês estão mexendo com a pessoa errada”, advertiu Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB, durante o debate promovido pela TV Gazeta e pelo canal MyNews no domingo 1º. Quando algum de seus adversários fugia do script e insistia em discutir algum tema relevante para o futuro da cidade mais rica e populosa do País, lá estava o ex-coach para esclarecer a que veio: “Isso aqui não é um jogo para ver quem tem melhor proposta. É para ver quem aguenta mais essa encheção de saco”.

O teatrinho de Marçal dá resultado. O influenciador não perde tempo discutindo propostas, até porque não teria o que apresentar. Quando arriscou propor a criação de uma rede de teleféricos para conectar favelas e estimular o turismo local, virou alvo de chacota nas redes sociais. Ciente de que não tem como vencer no debate de ideias, usa todo o tempo disponível para provocar os adversários com insultos, calúnias e difamações, tudo milimetricamente encenado para caber em vídeos curtos, editados para viralizar na internet. Não precisa sequer mobilizar sua equipe para fazer o trabalho braçal. Em vez disso, promove gincanas, com ofertas de prêmios em dinheiro aos produtores de conteúdo que fazem os melhores cortes, aqueles com maior número de visualizações no pantanoso mundo digital.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2 comentários

Santiago 08 de setembro de 2024 10h20
Interessante quando Marçal convoca os seus seguidores a fazerem o M, promovendo o M como o seu simbolo-mor. Se compararmos isso às popularescas frases fazer m... ou vai dar m..., não seria uma mera coincidência, pelo adjetivo contido no M destas frases.
Georges 09 de setembro de 2024 22h17
O brasileiro gosta é de bagunça pois a conversinha mole de candidatos que sabem absolutamente de todos os males que o povo padece na hora de filosofar em debate eleitoral mas , quando eleitos, sofrem de uma amnésia total não convence mais ninguém. Como político só presta para mamar 4 anos no macio pelo menos tem circo de alguns que caem de paraquedas e agem como os influenciadores: muito oba oba e nada de responsabilidade ou projeto de governo.Ninguém vai cumprir mesmo não é?

Para proteger e incentivar discussões produtivas, os comentários são exclusivos para usuários cadastrados junto a CartaCapital.

Já tem acesso? Faça login
Seja assinante! Aproveite conteúdos exclusivos e tenha acesso total ao site. ASSINE CARTACAPITAL ou Cadastre-se gratuitamente!
Os comentários não representam a opinião da revista. A responsabilidade é do autor da mensagem.