Saúde

Revista diz que casar com mulheres de carreira é complicação na certa

RIO - Quando é divulgada a lista dos homens mais ricos do mundo na revista americana Forbes, muitas mulheres suspiram e ficam imaginando como seria boa a vida ao lado de um milionário. O mesmo pode acontecer com os homens quando é divulgada a lista das mulheres endinheiradas - desde que eles não se casem com as que trabalham para ter a sua própria fortuna. A dica é da própria revista. Uma reportagem da versão online da Forbes vai direto ao assunto:

"Rapazes: um conselho apenas. Casem com mulheres bonitas ou com as feias. Com as altas ou com as baixas. Louras ou morenas. Só, de forma alguma, não se case com uma mulher que tem uma carreira".

De acordo com a revista, as chances de estresse num casamento com uma executiva são bem maiores. Mulheres com uma carreira seriam mais propensas ao divórcio, à traição, teriam menos filhos - e a mulher que não tem filhos ficaria aborrecida por isso.

- Não acho que as mulheres que fazem a opção por não ter ou ter menos filhos sejam menos felizes. Filhos necessitam de atenção e isso requer tempo. Uma carreira também exige dedicação. Hoje essa logística é mais complicada e muitas optam por não ter nenhum filho. É apenas uma outra forma de realização - explica a psicoterapeuta Denise Panaro, da Clínica Terapêutica Harmonya.

De acordo com um levantamento da organização americana Social Forces, qualquer mulher, mesmo as aparentemente mais feministas, são mais felizes quando seus maridos são os chefes da casa.

A teoria defendida pela vitrine de endinheirados é derrubada pelos especialistas.

- Realmente, um homem que se casa com uma mulher que pensa na carreira não pode ficar esperando um pratinho de comida e coisas assim. Para ela, a carreira vem em primeiro lugar - diz o ginecologista e sexólogo Amaury Mendes Júnior

- Ter uma profissão e ser dedicada a ela não é algo que impeça um casamento feliz. Na verdade, pode ser um atrativo. A não ser para os homens mais machistas, que acham que a esposa está em segundo plano na hierarquia familiar e esperam que ela não tenha vida própria, dedicando-se somente a ele - completa Denise.

A tese também é desmascarada, na prática, pela executiva do setor de Comércio Exterior Fernanda de Carvalho Abatte. Casada há três anos, ela não deixou nem a carreira nem a vida pessoal de lado. Tem um filho de 10 meses e já está de volta ao batente.

- É difícil e cansativo, mas se você fizer sua vida de maneira prática, objetiva, você consegue. Dá para conciliar as coisas. Hoje a mulher que trabalha ajuda muito o homem, até mesmo em termos financeiros. Os homens acabam procurando mulheres que trabalham fora para não ficar com toda a responsabilidade da casa – garante Fernanda, apoiada por Denise.

- Uma mulher, para administrar bem uma casa e uma família, não precisa estar lá o tempo todo. Cada setor tem a sua atenção e a sua dedicação em momentos diferentes.

A especialista concorda que a cabeça dos homens em relação ao sucesso profissional da mulher está mudando e para melhor.

- Hoje em dia, muitos homens não se incomodam com isso. Mas ainda vivemos resquícios do machismo, e esse aspecto pode se tornar um problema quando o homem se sente inferior e com menos poder de decisão. Na sociedade capitalista, quem tem menos poder de compra pode ser visto como inferior.

A reportagem insinua ainda que as executivas transam menos. O sexólogo até concorda, mas analisa a menor freqüência de sexo por um outro ângulo.

- Elas transam menos sim, mas são mais satisfeitas porque transam quantas vezes quiserem e não quantas vezes o marido quer. Os orgasmos são em menor quantidade, mas são melhores porque são mais desejados.

A Forbes contra-ataca afirmando que as mulheres engajadas profissionalmente podem ser bem atraentes - principalmente aos olhos de homens com ambições semelhantes: elas são bem educadas, ambiciosas, informadas. Apenas qualidades, certo? Sim, até que chegue a hora do casamento.

- Uma relação pode não dar certo por muitos motivos e precisamos entender sempre o que está acontecendo. Nesse caso, acredito que um forte fator, por exemplo, é a competição entre os cônjuges: quem é o melhor profissionalmente, quem ganha mais, quem tem mais projeção, quem tem o respeito dos filhos - diz Denise.